sexta-feira

Cada vez mais sinto que sou um triste rebelde preso num quarto a ouvir música que não percebo cuja única percepção que tenho da vida é a que de, no fundo, morrer é viver.
Gostava de puder saber um dia se a amplitude de todos os meus gestos tiveram realmente a realização que eu fiz deles ou se fui apenas uma pena ao sabor do vento, que triste seria saber que mais não fui do que, como alguém um dia me disse um pequeno passageiro do destino sem força para questionar ou decidir. Senti-me como uma pequena embarcação refém da vontade das marés e gostei dessa ideia. Quis essa afirmação dizer, no fundo, que nada do que eu fiz ou farei poderá ser imposto - isto, mais tarde num julgamento superior - como algo que eu quis fazer se não apenas algo que fiz porque estive lá no momento e não porque procurei fazer parte desse mesmo momento. 

Mas foda-se, que merda sei eu?

Sou um miúdo perdido à procura seu lugar no mundo, sou um cliché sem qualquer importância. Sou uma vida que vagueia sem caminho, não diria que sou uma alma perdida porque me encontrei a mim mesmo neste mundo e tomei consciência, seguramente tarde, de que posso ser mais do que valho.

Eu sei lá.

Transpiro a essência de não saber revoltar-me com o mundo nos momentos oportunos. Não é a confusão que me confunde nem o barulho que ela faz à noite quando tento dormir, porque a mim o que mais me custa quando estou a tentar adormecer é ter medo de não saber se quando acordar vou conseguir lutar por mais alguma conquista ou se vou cair de joelhos perante o julgamento dos muros que caíram porque eu não os consegui segurar.