segunda-feira

Plano de atitude

Sonho perdido e corro à procura de ouvir quem sou. Por vezes, dizem-nos o que somos, quem somos, o que fizemos, e custa-nos a aceitar porque temos muita dificuldade em aceitar que aquela imagem que mostram de nós pode ser muito mais verdadeira do que aquela que julgávamos ser a verdadeira, a que criámos sobre nós. 
Eu não me lembro que escolhas fiz no passado que me levaram a ser a pessoa que sou hoje. Tinha a convicção de ter feito muitas escolhas certas mas cada vez mais, parece-me que caí sempre no erro de escolher as erradas. Porquê? Porque eu sei lá, porque provavelmente julguei estar a agir da melhor maneira, porque provavelmente na altura em que as fiz muitas das minhas idéias e ideais eram bastante diferentes.. e não é isso algo perfeitamente normal? Não faz isso parte do processo que é, crescer, uma normalidade? Anormal seria, julgo, não pensar nisso. 
Se me dou ao trabalho de parar para pensar na pessoa que sou, na pessoa que me tornei e consigo ver que falhei em quase todos os aspectos que até à muito pouco tempo julgava.. sei lá. 
Isto, no fundo, nada mais é do que um desabafo, porque eu sinto que quando escrevo distancio-me de mim e isso traz-me alguma tranquilidade. Isto, isto, isto não é um caso raro, nem um caso de excepção, nem um caso que suscite qualquer tipo de preocupação, isto, isto é uma análise que eu tento fazer mas que tenho muita dificuldade em aprofundar, em chegar a algum lado, porque faltam-me as forças para descobrir uma melhor maneira de o fazer. Por mais que tente, por mais que grite e chore, nunca julguei um dia ficar sem palavras para expressar o que sinto quando falo de mim, do que passo, do que passei, do medo que tenho de não saber como lidar com aquilo que muito provavelmente sei que vou passar. É curioso sentir que no fundo, é o medo que me dá medo, e é nesta conclusão que me apercebo que sendo apenas o medo, o meu obstáculo primário, ser-me-à muito mais fácil ultrapassá-lo sabendo que fui eu que construí esse receio, e se o fiz, sozinho, será também sozinho que o vou derrubar e ultrapassar.



"Ao fugir da própria vida, Sem correr e sem saltar, Oculto sangue que tenho para dar"
- Sangue Oculto, GNR

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