segunda-feira

Um dia li

Nada do que sinto se enquadra naquilo que penso, nada do que sou vai ao encontro daquilo que quero para mim.
Já não consigo ver qualquer virtude naquela pessoa que sou quando acordo, por mais curioso que seja, é quando durmo e me mantenho de olhos fechados que me apercebo que nem assim consigo encontrar qualquer justificação para os meus vícios, para os meus maus hábitos, para a minha terrível maneira de ser. De olhos abertos, limito-me a deixar a luz entrar para não cair na tentação de me continuar a culpar, os olhos só fecham quando têm que fechar mas admito que cada vez mais custam a abrir.
Tento apreciar a beleza, da maneira que eu a vejo, tento encará-la como algo fascinante que me proporciona calma, conforto. Encaro esta minha teimosia com a maior das normalidades, a mim não me afecta mas a quem convive comigo, transforma a sua vida em terror putrefacto, ansiedade, incerteza e insegurança, e eu, pergunto-me, se a culpa será minha ou da beleza.
Durante muito tempo procurei tranquilidade, estabilidade, durante muito tempo fechei os olhos à razão que me dizia que nem uma nem outra se encontra, conquista-se, e que por norma, trabalha-se muito para a conquistar.
Não quero nada de mão beijada, não quero sentir que conquistei o que conquistei porque o destino estava distraído, quero sentir, quando estiver sentado a olhar para o que fiz e para o fui, que tudo o que de bom conquistei, foi fruto do meu esforço.
Quero que ele seja feliz, que se sinta preparado, que não sinta qualquer tipo de dúvida quando precisar de chorar e não saiba a quem chamar, eu quero estar lá, eu vou estar lá.
Basta-me saber que ele sabe que pode contar comigo, e um dia posso fechar os olhos e deixar de me preocupar se as minhas virtudes são menores do que os meus vícios.

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