segunda-feira

e assim vou vivendo

se tudo fosse como apenas um escudo que nos protege, tudo seria mais fácil, dilatava-se a nossa vantagem perante os outros. mas eu, tal como tu, choro, e sinto que me faz falta sentir as cócegas que aquelas pequenas gotas me fazem quando me caem pela face, rejubilo quando o sabor salgado me toca nos lábios e me sinto vivo.

e eu, que tanto procuro e canto e grito, digo-te amizade, também eu, tal como tu me sinto cansado, farto disto tudo, encantado por poder viver esta vida neste tempo onde cada vez menos menos tempo temos para simplificar, para adorar, para amar,

queria parar de suar, de sofrer, vem esta força que me engole todo o ego, vem esta raiva que me alimenta o sossego, digo-o, como já aqui o disse e volto a dizê-lo que é nas hostes do sofrimento que encontro sossego, não me cansarei de o repetir porque não me sai da cabeça.

arranho a cabeça, afogo-me em dores de parto, desfaço-me naquilo que não posso, naquilo que não quero, procuro dar à alma aquilo que ela me pede mas peco e dou-lhe tudo o que não devo, dou-lhe cortes e ela teima em não cicatrizar, teima em fazer-me sentir vivo para que eu, tal como ela, possa sentir o quanto dói quando não temos o que queremos.

e oh, meu mundo azul, eu choro quando me lembro de ti e não estás ao pé de mim, é quando te vejo a dormir, naquela calma que só tu me trazes que eu me sinto feliz, e acredita menino, vivo para ti.