quinta-feira

passou-me ao lado


tudo mais nada será do que apenas uma breve história de amor, um ligeiro suspiro passageiro de dor que vai e vem e leva tudo o que de bom me trouxe. procuro sem cessar eliminar todos estes pequenos monstros que me roem, não sei o que fazer, não sei por onde seguir, não sei para onde ir. tenho cada vez mais medo de me tornar numa daquelas pessoas com aspeto medonho que pouco mais sabem fazer do que trabalhar e ter poucos cuidados. é horrorosa para mim a ideia de me tornar numa reles personagem que apenas por cá passou sem saber muito bem o que fez, sem ter noção sequer do que poderia algum dia ter feito. são estas ideias que me matam, que me assustam, que me tiram o sangue do corpo quando só procuro um pouco de sossego. sinto que já nada sei fazer, que já nada sei dizer, sinto - por consequência - que já nada quero dizer, que já  nada quero fazer. perco todas as forças para me levantar de manhã, a incerteza de não saber o que serei depois atira-me para o chão, deixa-me K.O., letárgico, sem forças para agir. por mais que pense em todas as coisas boas que passaram, em todas as pessoas que agora não são mais do que memórias às quais me agarro sem saber bem porquê, leva-me a perguntar, e agora? se eu já nem sei cair, como é que me vou conseguir levantar? reparo em tudo o que se afasta, reparo em tudo o que se afastou, e é nada mais do que um furacão de deslizes e de despistes incontroláveis, por mais que me tente agarrar a alguma razão a alguma certeza, tudo isso e mais, escapam-me e fogem-me das mãos. já só e apenas certos sons me trazem de volta à realidade de não saber quem sou. e que belo horizonte estou eu a criar, e custa-me, porque sempre que abro os olhos para o admirar, tudo me parece atabalhoado, destabilizado, incontornavelmente desarrumado e sem sentido. serão apenas os lados errados aqueles para os quais eu olho que fazem com que não consiga gatinhar neste terreno árido e cada vez mais seco, seco de esperança, seco de olhares nauseabundos que tanta falta me fazem quando procuro dizer-lhes: "é quando me miram de alto a baixo com desdém que encontro alguma certeza. é quando me miram de alto a baixo com raiva que encontro forças para me levantar. é certeza do vosso olhar, desse rancoroso olhar com que tanta paixão me olham que eu me sinto bem, é convosco, no vosso lar, que encontro o calor que preciso para recuperar destes sentimentos gelados. talvez, talvez vocês um dia percebam que é na vossa falta de fé que eu me encontro e ressuscito mais forte. é no vosso ódio, no vosso descrédito que eu salto e me agarro com todas as forças ao que está escrito para mim, ao meu poder, ao meu destino, ao meu sonho de um dia ser muito mais do que algum dia vocês julgaram ser ou que eu pudesse ser." 

e desmancho-os em todo o meu esplendor. sou senhor de todas as minhas faculdades, é na guerra, no julgamento de todas as minhas ações que saberei, com tudo o que tenho, afirmar-me perante Deus. pois só a ele devo, só a ele lhe devo tudo o que a mais ninguém competirá ouvir da minha boca: "é no infortúnio no qual me fizeste e fazes viver que sairei vencedor, é através do meu sangue, do sangue do meu sangue, que saberás finalmente o que criaste."


"Life is either an incredible adventure or is nothing at all"
- Hellen Keller

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