quinta-feira

arf


costuma ser na dúvida que encontro a maioria da respostas, óbvio, óbvio! quem não questiona não evolui porque não quer perceber, ou entender, ou saber, ou não. diria-se que eu sou parvo, estúpido à força toda, e serei seguramente e não vou jamais desmentir quem o diga, são por vezes os burros que gostam tanto de falar, os porcos que gostam tanto de ladrar e os cães que por sua vez gostam tanto de fornicar, em semelhança aos seus primos directos, os coelhos. se me perguntarem hoje "Pedro, mas o que se passa contigo" eu respondo categoricamente que o meu problema sou Eu. é o Eu que me atrapalha o ser, é a viagem das virtudes, perdidas num mapa desactualizado, que me fazem sofrer. ao perdi as ligações perdi a oportunidade de fazer update, de crescer, de sonhar mais um pouco, de sofrer mais um pouco, um poucoxinho porque sofrer é bom, faz bem, mas viver tambem. nunca pensei eu, em segundo algum dentro daqueles macronésimos milinésimos e ainda mais pequenos enésimos de caralhos de microssegundos chorar por não ser gente, pessoa. sou um vegetal, ambulante, cigano, que por aqui anda ao saber das semanas, de segunda a domingo, sendo que por vezes troco os dias, sei lá a que dia ando, quero é que passe e chegue o outro, e chega dessa merda. quero aproveitar os tais enésimos de segundos, aqueles  mais pequenos, a admirar o que tenho de melhor, o sangue do meu sangue, o meu verdadeiro amor. 

e tu caíste outra vez, desenhado por esperanças honorificados por pianos mal afinados. quem toca toca bem, ui, quem toca toca maravilhosamente bem. a maneira singela e bruta como ela massaga aquele teclado de marfim suscitam em mim todas as sensações porcas dos tempos das orgias francesas, em que - julgo eu - seria o cheiro a desmascara-las à distancia. e é nestes horrores, nestes suores frios, nestas gostas febris com as quais confundo o ranho, que vivo e suspiro sempre por mais um dia. 

eu vou-te apanhar eventualmente e vou-te provar que nada é o que parece porque no fundo nada do que julgas por vezes pensar vai ao encontro do que sou penso ou digo, eu sou diferente, sou angustiamente diferente menina, sou por vezes completamente o oposto do que julgas que eu sou do que acreditas que eu sou, dentro dessas ideias constituídas, construídas por ti sobre alicerces de alguma hipocrisia, má educação e excesso de falsa modéstia. também eu sei  que não és quem eu julgo que tu sejas, e que faças das minhas as tuas palavras, e com razão dir-te-ei, que devíamos falar mais. pois eu acho que devíamos conversar a dobrar, rir a triplicar e foder a quadruplicar.

mas é o cansaço. é o esforço. é a falta de gosto. é a desmotivação. a falta de chá. é tudo isto e mais alguma coisa que começa a tirar a piada, ao que no inicio foi um sonho e agora parece-me apenas ser um vaso ignorado por um dono também ele abandonado.

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