segunda-feira

quero que me vejas como muito mais do que um plano, quero que me vejas como uma linha de horizonte onde as possibilidades de construires o que quiseres são apenas limitadas pelo que possas sonhar. quero que penses, que sintas e que saibas que tudo o que sonhares não será impossivel de se concretizar, quero que interiorizes que tudo o que possas querer ou sonhaste algum dia ser, eu serei a pessoa, o módulo, o sentimento, a ajuda que precisas, a peça que te falta para conseguires alcançares o que sempre quiseste. comigo podes chorar, comigo podes pedir, gritar, comigo podes falar de todos os bocados de alma que sentiste que foste perdendo ao longo de todas as jornadas pelas quais passaste. seja de noite ou de dia, é nos meus braços que quero que te sintas bem quando precises de sossego de calma ou paz, é nas minhas costas que quero que te apoies quando precises de subir mais um degrau para teres consciência de que os perigos que tanto te assustam, aqueles que não vês, aqueles que te atormentam quando não consegues dormir, serão todos suprimidos pelo ar que ambos respiramos. quero muito mais do que pedras para comer, quero muito mais do que cimento e alcatrão para fuzilar com estes punhos recheados de pura vontade de sermos mais do que uma simples estória de encantar. temos que ser cada vez mais cada vez mais fortes, juntos, unidos, fortalecidos com esta nossa cor. somos nós e apenas nós que devemos ser os senhores das palavras que nos guiam, alheando-nos para isso das demais influencias externas, brutas, parvas, venham elas de onde venham, tenham elas as intenções que tiverem. nós não somos um infinito fim, nós não somos um som que se ouve quando se fala de nós. nós somos muito mais do que isso. somos muito maiores do que isso, nós somos uma força e seremos sempre muito mais do que uma onda que desaparece quando bate nas dunas de uma praia deserta. a nós ninguem nos dirá que somos uma fantasia, uma ilusão, um cliché de novela, algo que já se viu, somos únicos por sinal e tem sido esse o nosso maior peso, a nossa maior luta, fazermos jús ao que ninguem acredita que somos e que podemos vir a ser: felizes como nunca ninguem foi, felizes como eles nunca o souberam ser. envio-te, tal como naquele filme que vimos, um beijo cheio de amor, para que quando acabares de me ler, saibas que, para além do amor que tenho por ti, sintas tambem nos teus lábios um pouco de mim. Amo-te.


"Mas sinto que sabes que sentes, que num dia maior serás trapézio sem rede, A pairar sobre o mundo, Em tudo o que vejo.." 

- CARTA, Toranja

quinta-feira

arf


costuma ser na dúvida que encontro a maioria da respostas, óbvio, óbvio! quem não questiona não evolui porque não quer perceber, ou entender, ou saber, ou não. diria-se que eu sou parvo, estúpido à força toda, e serei seguramente e não vou jamais desmentir quem o diga, são por vezes os burros que gostam tanto de falar, os porcos que gostam tanto de ladrar e os cães que por sua vez gostam tanto de fornicar, em semelhança aos seus primos directos, os coelhos. se me perguntarem hoje "Pedro, mas o que se passa contigo" eu respondo categoricamente que o meu problema sou Eu. é o Eu que me atrapalha o ser, é a viagem das virtudes, perdidas num mapa desactualizado, que me fazem sofrer. ao perdi as ligações perdi a oportunidade de fazer update, de crescer, de sonhar mais um pouco, de sofrer mais um pouco, um poucoxinho porque sofrer é bom, faz bem, mas viver tambem. nunca pensei eu, em segundo algum dentro daqueles macronésimos milinésimos e ainda mais pequenos enésimos de caralhos de microssegundos chorar por não ser gente, pessoa. sou um vegetal, ambulante, cigano, que por aqui anda ao saber das semanas, de segunda a domingo, sendo que por vezes troco os dias, sei lá a que dia ando, quero é que passe e chegue o outro, e chega dessa merda. quero aproveitar os tais enésimos de segundos, aqueles  mais pequenos, a admirar o que tenho de melhor, o sangue do meu sangue, o meu verdadeiro amor. 

e tu caíste outra vez, desenhado por esperanças honorificados por pianos mal afinados. quem toca toca bem, ui, quem toca toca maravilhosamente bem. a maneira singela e bruta como ela massaga aquele teclado de marfim suscitam em mim todas as sensações porcas dos tempos das orgias francesas, em que - julgo eu - seria o cheiro a desmascara-las à distancia. e é nestes horrores, nestes suores frios, nestas gostas febris com as quais confundo o ranho, que vivo e suspiro sempre por mais um dia. 

eu vou-te apanhar eventualmente e vou-te provar que nada é o que parece porque no fundo nada do que julgas por vezes pensar vai ao encontro do que sou penso ou digo, eu sou diferente, sou angustiamente diferente menina, sou por vezes completamente o oposto do que julgas que eu sou do que acreditas que eu sou, dentro dessas ideias constituídas, construídas por ti sobre alicerces de alguma hipocrisia, má educação e excesso de falsa modéstia. também eu sei  que não és quem eu julgo que tu sejas, e que faças das minhas as tuas palavras, e com razão dir-te-ei, que devíamos falar mais. pois eu acho que devíamos conversar a dobrar, rir a triplicar e foder a quadruplicar.

mas é o cansaço. é o esforço. é a falta de gosto. é a desmotivação. a falta de chá. é tudo isto e mais alguma coisa que começa a tirar a piada, ao que no inicio foi um sonho e agora parece-me apenas ser um vaso ignorado por um dono também ele abandonado.