sábado

Tem existido sem dúvida a vontade de escrever no entanto falta-me a calma. O que acaba por ser irónico porque quando comecei o blogue via-o como um escape para uma certa raiva acumulada, raiva que eu sentia vontade de exprimir de alguma maneira e pois bem, acabei por encontrar na escrita um escape a par do tabaco e do café. E é assim que eu hoje vivo, stressado com muito tabaco e muito café. Mas a vida é boa, sem dúvida, enquanto cá estiver quero continuar a tentar perceber o que é que cá ando a fazer. Sinceramente, só hoje, e apenas hoje, quando olho para os olhos do meu filho, é que consigo perceber que a minha função neste mundo é conseguir dar àquela criança, todo o amor que eu tenha para lhe dar, é continuar a crescer continuamente para lhe puder ser melhor pai do que fui filho, namorado, irmão, neto, sobrinho.
A raiva persiste e teima em não me largar, talvez  a minha essencia agora seja essa e para ser bastante franco já não sinto que saiba viver sem ela. É esta raiva, por vezes miúdinha e por vezes graúda, que me dá forças para acordar todos os dias, que me dá ganas de comer o mundo com os olhos e me dá ansias de aprender a ver melhor. O diálogo já não chega, a guerra é muito extremista para as minha ambições e não julgo que seja a melhor opção. Resta-me, então, agir e assumir as minhas atitudes. Resta-me então assumir o cargo que ostento e tornar-me no adulto que tarda em chegar. Já não posso ser um menino nem tão pouco um miúdo, já não posso encarar de animo leve determinadas ofensas, já não me posso permitir ser um rapaz de meias palavras, chegou a altura de dar um passo em frente e tornar-me num homem só de uma palavra. E encarar, com tudo o que sou, o que daí vier. Se o que eu quero é viver. 
Posso morrer a qualquer hora do dia. Pode ser este o meu último suspiro. Se fosse, hoje morreria infeliz e já basta, é tempo de mudar. Morria infeliz porque quem cá ficasse e por acaso me lamentasse, não tinha maneira de saber se eu estava bem com a vida. A verdade é que não estou. Não sinto que seja nem que tenha sido nestes ultimos anos a pessoa a que me propus ser, e quem me conhece sabe que assim, jamais podia eu morrer feliz. Morria infeliz porque é cedo, demasiado cedo para morrer infeliz.
Na ansiedade de querer que tudo corra bem, de tentar fazer com que tudo corra acabei por fazer merda. Se eu sabia, porque é que agi assim então? Não sei, sinceramente não sei. Só quero estar bem, não quero dizer nada, não me apetece dizer nada, só quero ficar quieto, calado, sossegado e encostado, porque julguei que se não dissesse não podia fazer nada de mal. Enganei-me, claro está, porque, concerteza, estar calado e quieto é em si, um erro. Um erro que só acaba por levar a mais erros, porque por mais que tentemos justificar o porquê do nosso silencio, todas as respostas parecem dúbias e questionáveis. 
E sinceramente, já chega. Chega de justificações, de julgamentos, de dúvidas, de incertezas, chega de acender vários cigarros só porque sim, só porque acho que pode ajudar. Tudo na vida tem um certo balanço, no fundo sem luta não há tusa.

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