quinta-feira

Rodriguez - Rich Folks Hoax


passou-me ao lado


tudo mais nada será do que apenas uma breve história de amor, um ligeiro suspiro passageiro de dor que vai e vem e leva tudo o que de bom me trouxe. procuro sem cessar eliminar todos estes pequenos monstros que me roem, não sei o que fazer, não sei por onde seguir, não sei para onde ir. tenho cada vez mais medo de me tornar numa daquelas pessoas com aspeto medonho que pouco mais sabem fazer do que trabalhar e ter poucos cuidados. é horrorosa para mim a ideia de me tornar numa reles personagem que apenas por cá passou sem saber muito bem o que fez, sem ter noção sequer do que poderia algum dia ter feito. são estas ideias que me matam, que me assustam, que me tiram o sangue do corpo quando só procuro um pouco de sossego. sinto que já nada sei fazer, que já nada sei dizer, sinto - por consequência - que já nada quero dizer, que já  nada quero fazer. perco todas as forças para me levantar de manhã, a incerteza de não saber o que serei depois atira-me para o chão, deixa-me K.O., letárgico, sem forças para agir. por mais que pense em todas as coisas boas que passaram, em todas as pessoas que agora não são mais do que memórias às quais me agarro sem saber bem porquê, leva-me a perguntar, e agora? se eu já nem sei cair, como é que me vou conseguir levantar? reparo em tudo o que se afasta, reparo em tudo o que se afastou, e é nada mais do que um furacão de deslizes e de despistes incontroláveis, por mais que me tente agarrar a alguma razão a alguma certeza, tudo isso e mais, escapam-me e fogem-me das mãos. já só e apenas certos sons me trazem de volta à realidade de não saber quem sou. e que belo horizonte estou eu a criar, e custa-me, porque sempre que abro os olhos para o admirar, tudo me parece atabalhoado, destabilizado, incontornavelmente desarrumado e sem sentido. serão apenas os lados errados aqueles para os quais eu olho que fazem com que não consiga gatinhar neste terreno árido e cada vez mais seco, seco de esperança, seco de olhares nauseabundos que tanta falta me fazem quando procuro dizer-lhes: "é quando me miram de alto a baixo com desdém que encontro alguma certeza. é quando me miram de alto a baixo com raiva que encontro forças para me levantar. é certeza do vosso olhar, desse rancoroso olhar com que tanta paixão me olham que eu me sinto bem, é convosco, no vosso lar, que encontro o calor que preciso para recuperar destes sentimentos gelados. talvez, talvez vocês um dia percebam que é na vossa falta de fé que eu me encontro e ressuscito mais forte. é no vosso ódio, no vosso descrédito que eu salto e me agarro com todas as forças ao que está escrito para mim, ao meu poder, ao meu destino, ao meu sonho de um dia ser muito mais do que algum dia vocês julgaram ser ou que eu pudesse ser." 

e desmancho-os em todo o meu esplendor. sou senhor de todas as minhas faculdades, é na guerra, no julgamento de todas as minhas ações que saberei, com tudo o que tenho, afirmar-me perante Deus. pois só a ele devo, só a ele lhe devo tudo o que a mais ninguém competirá ouvir da minha boca: "é no infortúnio no qual me fizeste e fazes viver que sairei vencedor, é através do meu sangue, do sangue do meu sangue, que saberás finalmente o que criaste."


"Life is either an incredible adventure or is nothing at all"
- Hellen Keller

segunda-feira

quero que me vejas como muito mais do que um plano, quero que me vejas como uma linha de horizonte onde as possibilidades de construires o que quiseres são apenas limitadas pelo que possas sonhar. quero que penses, que sintas e que saibas que tudo o que sonhares não será impossivel de se concretizar, quero que interiorizes que tudo o que possas querer ou sonhaste algum dia ser, eu serei a pessoa, o módulo, o sentimento, a ajuda que precisas, a peça que te falta para conseguires alcançares o que sempre quiseste. comigo podes chorar, comigo podes pedir, gritar, comigo podes falar de todos os bocados de alma que sentiste que foste perdendo ao longo de todas as jornadas pelas quais passaste. seja de noite ou de dia, é nos meus braços que quero que te sintas bem quando precises de sossego de calma ou paz, é nas minhas costas que quero que te apoies quando precises de subir mais um degrau para teres consciência de que os perigos que tanto te assustam, aqueles que não vês, aqueles que te atormentam quando não consegues dormir, serão todos suprimidos pelo ar que ambos respiramos. quero muito mais do que pedras para comer, quero muito mais do que cimento e alcatrão para fuzilar com estes punhos recheados de pura vontade de sermos mais do que uma simples estória de encantar. temos que ser cada vez mais cada vez mais fortes, juntos, unidos, fortalecidos com esta nossa cor. somos nós e apenas nós que devemos ser os senhores das palavras que nos guiam, alheando-nos para isso das demais influencias externas, brutas, parvas, venham elas de onde venham, tenham elas as intenções que tiverem. nós não somos um infinito fim, nós não somos um som que se ouve quando se fala de nós. nós somos muito mais do que isso. somos muito maiores do que isso, nós somos uma força e seremos sempre muito mais do que uma onda que desaparece quando bate nas dunas de uma praia deserta. a nós ninguem nos dirá que somos uma fantasia, uma ilusão, um cliché de novela, algo que já se viu, somos únicos por sinal e tem sido esse o nosso maior peso, a nossa maior luta, fazermos jús ao que ninguem acredita que somos e que podemos vir a ser: felizes como nunca ninguem foi, felizes como eles nunca o souberam ser. envio-te, tal como naquele filme que vimos, um beijo cheio de amor, para que quando acabares de me ler, saibas que, para além do amor que tenho por ti, sintas tambem nos teus lábios um pouco de mim. Amo-te.


"Mas sinto que sabes que sentes, que num dia maior serás trapézio sem rede, A pairar sobre o mundo, Em tudo o que vejo.." 

- CARTA, Toranja

quinta-feira

arf


costuma ser na dúvida que encontro a maioria da respostas, óbvio, óbvio! quem não questiona não evolui porque não quer perceber, ou entender, ou saber, ou não. diria-se que eu sou parvo, estúpido à força toda, e serei seguramente e não vou jamais desmentir quem o diga, são por vezes os burros que gostam tanto de falar, os porcos que gostam tanto de ladrar e os cães que por sua vez gostam tanto de fornicar, em semelhança aos seus primos directos, os coelhos. se me perguntarem hoje "Pedro, mas o que se passa contigo" eu respondo categoricamente que o meu problema sou Eu. é o Eu que me atrapalha o ser, é a viagem das virtudes, perdidas num mapa desactualizado, que me fazem sofrer. ao perdi as ligações perdi a oportunidade de fazer update, de crescer, de sonhar mais um pouco, de sofrer mais um pouco, um poucoxinho porque sofrer é bom, faz bem, mas viver tambem. nunca pensei eu, em segundo algum dentro daqueles macronésimos milinésimos e ainda mais pequenos enésimos de caralhos de microssegundos chorar por não ser gente, pessoa. sou um vegetal, ambulante, cigano, que por aqui anda ao saber das semanas, de segunda a domingo, sendo que por vezes troco os dias, sei lá a que dia ando, quero é que passe e chegue o outro, e chega dessa merda. quero aproveitar os tais enésimos de segundos, aqueles  mais pequenos, a admirar o que tenho de melhor, o sangue do meu sangue, o meu verdadeiro amor. 

e tu caíste outra vez, desenhado por esperanças honorificados por pianos mal afinados. quem toca toca bem, ui, quem toca toca maravilhosamente bem. a maneira singela e bruta como ela massaga aquele teclado de marfim suscitam em mim todas as sensações porcas dos tempos das orgias francesas, em que - julgo eu - seria o cheiro a desmascara-las à distancia. e é nestes horrores, nestes suores frios, nestas gostas febris com as quais confundo o ranho, que vivo e suspiro sempre por mais um dia. 

eu vou-te apanhar eventualmente e vou-te provar que nada é o que parece porque no fundo nada do que julgas por vezes pensar vai ao encontro do que sou penso ou digo, eu sou diferente, sou angustiamente diferente menina, sou por vezes completamente o oposto do que julgas que eu sou do que acreditas que eu sou, dentro dessas ideias constituídas, construídas por ti sobre alicerces de alguma hipocrisia, má educação e excesso de falsa modéstia. também eu sei  que não és quem eu julgo que tu sejas, e que faças das minhas as tuas palavras, e com razão dir-te-ei, que devíamos falar mais. pois eu acho que devíamos conversar a dobrar, rir a triplicar e foder a quadruplicar.

mas é o cansaço. é o esforço. é a falta de gosto. é a desmotivação. a falta de chá. é tudo isto e mais alguma coisa que começa a tirar a piada, ao que no inicio foi um sonho e agora parece-me apenas ser um vaso ignorado por um dono também ele abandonado.

terça-feira

já nem o fumo me salva nos momentos em que o sentimento de não saber o que fazer quando estou sozinho se apodera das restantes vontades.

sábado

Tem existido sem dúvida a vontade de escrever no entanto falta-me a calma. O que acaba por ser irónico porque quando comecei o blogue via-o como um escape para uma certa raiva acumulada, raiva que eu sentia vontade de exprimir de alguma maneira e pois bem, acabei por encontrar na escrita um escape a par do tabaco e do café. E é assim que eu hoje vivo, stressado com muito tabaco e muito café. Mas a vida é boa, sem dúvida, enquanto cá estiver quero continuar a tentar perceber o que é que cá ando a fazer. Sinceramente, só hoje, e apenas hoje, quando olho para os olhos do meu filho, é que consigo perceber que a minha função neste mundo é conseguir dar àquela criança, todo o amor que eu tenha para lhe dar, é continuar a crescer continuamente para lhe puder ser melhor pai do que fui filho, namorado, irmão, neto, sobrinho.
A raiva persiste e teima em não me largar, talvez  a minha essencia agora seja essa e para ser bastante franco já não sinto que saiba viver sem ela. É esta raiva, por vezes miúdinha e por vezes graúda, que me dá forças para acordar todos os dias, que me dá ganas de comer o mundo com os olhos e me dá ansias de aprender a ver melhor. O diálogo já não chega, a guerra é muito extremista para as minha ambições e não julgo que seja a melhor opção. Resta-me, então, agir e assumir as minhas atitudes. Resta-me então assumir o cargo que ostento e tornar-me no adulto que tarda em chegar. Já não posso ser um menino nem tão pouco um miúdo, já não posso encarar de animo leve determinadas ofensas, já não me posso permitir ser um rapaz de meias palavras, chegou a altura de dar um passo em frente e tornar-me num homem só de uma palavra. E encarar, com tudo o que sou, o que daí vier. Se o que eu quero é viver. 
Posso morrer a qualquer hora do dia. Pode ser este o meu último suspiro. Se fosse, hoje morreria infeliz e já basta, é tempo de mudar. Morria infeliz porque quem cá ficasse e por acaso me lamentasse, não tinha maneira de saber se eu estava bem com a vida. A verdade é que não estou. Não sinto que seja nem que tenha sido nestes ultimos anos a pessoa a que me propus ser, e quem me conhece sabe que assim, jamais podia eu morrer feliz. Morria infeliz porque é cedo, demasiado cedo para morrer infeliz.
Na ansiedade de querer que tudo corra bem, de tentar fazer com que tudo corra acabei por fazer merda. Se eu sabia, porque é que agi assim então? Não sei, sinceramente não sei. Só quero estar bem, não quero dizer nada, não me apetece dizer nada, só quero ficar quieto, calado, sossegado e encostado, porque julguei que se não dissesse não podia fazer nada de mal. Enganei-me, claro está, porque, concerteza, estar calado e quieto é em si, um erro. Um erro que só acaba por levar a mais erros, porque por mais que tentemos justificar o porquê do nosso silencio, todas as respostas parecem dúbias e questionáveis. 
E sinceramente, já chega. Chega de justificações, de julgamentos, de dúvidas, de incertezas, chega de acender vários cigarros só porque sim, só porque acho que pode ajudar. Tudo na vida tem um certo balanço, no fundo sem luta não há tusa.