segunda-feira

Não é verdade que não sabes, a verdade é que não queres saber, e andas por aqui a fingir que sabes. Não resulta. Epá não resulta, ponto final. A partir de que momento é que achaste que podias fazer o que querias? Nada disto é verdade, apenas pareceu certo aparecer escrito, nunca te o disse porque sinceramente é mentira, nunca tive precisão de o dizer, nunca o fizeste, não é assim tão fácil ser amado, por tudo o que se passou parece-me ser mais fácil amar. Ser amado exige muito de nós, exige que sejamos coerentes, muito fiéis aquela imagem que mostrámos quando no principio tivemos medo de mostrar quem realmente éramos, e agora? 
Agora apaga-se e volta-se a escrever, se fosse tudo assim tão fácil como pegar uma borracha e apagar o que não gostamos, mas clichés à parte, não é, não senhor não é assim tão fácil, portanto compete-nos assumir as decisões e as posturas que tomámos.
A partir do momento em que agi com perfeita consciência da liberdade de que sou dono, tenho também que assumir as responsabilidades que adoptei nessa mesma altura, ora, eu sei quem sou, sempre soube quem era e para onde queria ir, não fazia ideia era de a maneira como sou ia acabar por fazer tanto estrago.
Sempre pensei que fosse diferente, mais, impecável, mas depressa apercebi-me que quando comecei a tentar mostrar-te alguém que não era para que gostasses mais de mim, para te sentisses mais segura, mais confortável comigo, criei um padrão que mais tarde não consegui suportar, e isso nota-se agora, eu vi que sou capaz de te mostrar que te amo, mas sinto que nunca fui capaz de te deixar que me amasses à tua maneira.
Quis-te mostrar um mundo que não era mundo algum, era uma realidade distorcida, uma fantasia endiabrada de beijos, amor, abraços, caricias, tudo tudo tudo tudo, e agora parece que nada serve, nada resulta, nada é suficiente, nada chega, nada nunca é tudo e tudo nunca parece ser nada, é um sufoco tentar, tentar chegar lá aquele sitio que te mostrei ser capaz de atingir e acabar sempre por cair quase quase lá em cima, é uma sensação de insegurança tão grande pá, é uma dor tão angustiante, porque eu sei que já lá estive, mas agora parece que não encontro forças para lá chegar outra vez.

E agora que fazemos? Pois, nada. Ouvimos Ornatos.

"Foi como entrar, Foi como arder, Para ti nem foi viver, Foi mudar o mundo, Sem pensar em mim, Mas o tempo até passou"

E assim foi, pensei tanto em ti, pensei tanto no que podíamos ser juntos, naquela ideia de amor eterno que agora carece de vontade, foi mesmo como arder, foi mesmo como querer respirar e não conseguir, foi mesmo como foi, e agora já está. Agora é altura de encararmos os erros que ambos cometemos e tentar perceber onde é que errámos sem nos apercebermos, porque embora eu acredite que conheço os erros que cometi bem sei que na tua cabeça cometi muitos mais e vice-versa.
O tempo não passou simplesmente por dá cá aquela palha, o tempo passou da maneira que nós quisemos que passasse, passou à nossa maneira, tempo esse que não vamos voltar a recuperar mas que podemos tentar arranjar uma maneira de tentar transformá-lo num tempo melhor.
Mas, isso seria enganar-nos a nós próprias, seria o equivalente a pegar numa mão-cheia de areia e esfregar nos olhos de cada um, tivemos tempo para mudar na altura devida mas ninguém teve a coragem de o fazer, ninguém assumiu a responsabilidade pelo que estava a acontecer e limitar-nos a atirar as culpas para cima um do outro.

E agora que fazemos? Pois, nada. Ouvimos Ornatos.

"O que eu quis mostrar ao mundo, Era tão forte e tão profundo, Eu quase me afoguei na emoção"

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