quarta-feira

café, cafézinho, tu que me acordas nestas noites, onde me sinto enclausarado, sou um escravo desta economia, vivo assim fechado durante as noites e durmo durante o dia, não que seja triste, é pior, quem se lembrou de tal abominação? certamente será parente do dantas, esse que não sabia escrever, esse que não sabia tossir, esse que pouco mais sabia fazer do que respirar, mas vá lá, por vénia do destino morreu feliz, como só ele, na sua dantice o fazia tão bem. mas voltando a ti meu café, cafézinho, tu que me acordas nestas noites em que me sinto escritor, mas mais não sou do que um pobre portador destas palavras sem sentido, abismais, que terror, mas és tu meu café, meu cafézinho, que me dás alento e pregos nos olhos para que possa continuar acordado, nestas noites em que me sinto escritor. 
que triste é estar fechado, sei eu, por mérito próprio, que gira à minha volta todo um mundo, e eu aqui fechado, sei eu, por mérito próprio, que só assim me posso dar ao luxo de puder escrever, ter tempo para escrever é do mais belo que pode haver, oh, e tanto valor dou a esse tempo em que sou apenas eu e mais algumas letras, nestas palavras que a nada soam, nestas palavras que a mais ninguém trazem conforto, só a mim, porque é assim que sou, um escritor que não sabe que não o é, e não sou, limito-me a divagar por ideias pouco esclarecidas e penso que já sei tudo, mas nada sei, oh café, cafézinho, és tu que nestas noites, com esse teu sabor a café que me mantêm acordado nestas noites em que nada sou do que um refém do tempo, de que nada sou do que um refém destas ideias parvas, mas alto! alto lá! tenho ideais e vivo para os manter, certos ou errados são meus e tenho que aprender a defendê-los, mas oh, alto! alto lá! embora ninguém me tenha ensinado eu gosto de os manter, assim, meus, pequenos, mas meus, assim, tal e qual como nascem é da maneira que os mantenho, simples mas certos. sabes, podes não saber, mas é em ti em quem eu penso. agora ai, com essa veia a ser fustigada pelo soro, se soubesses o quanto te amo, se soubesses o que sinto por ti, acredita que não sabes, embora me conheças, embora já saibas como sou, embora aches que sabes o que sinto por ti a verdade é que não sabes, a verdade é que tudo o que sou não é mais do que uma parte de ti, sabes.. eu gosto muito de ti. gosto mesmo. acredita quando te digo, os meus olhos azuis não te mentem, podem tentar proteger o que temos, mas mentir não, isso é feio, isso em mim não cabe isso e mim não serve e luto cada dia que essa realidade se torne uma verdade incontornável, pois eu Amo-te, e tens que saber, tens que ter noção e tens que ter como garantido que nunca te vou abandonar, nunca te vou largar num canto a sufocar, o meu coração não está dentro de uma caixa, nem quero que o teu esteja, o meu coração está ao teu dispôr, sou eu assim um bocadinho de ti, não há caminho que eu possa fazer em que, sem que dê um passo, não pense em ti, não tenho três pensamentos sem que pelo menos dois deles tenham algo de ti, é de ti que gosto, és tu quem eu Amo, é contigo que eu quero ficar, é contigo que me sinto bem, sabes?
mas voltando a teu meu café, cafézinho, cá estás tu neste corpo a fazer efeito, não te vás porque bem preciso de ti a par de uma bela dose de tabaco, tudo isto é verdadeiro, tudo isto sou eu, meio estrambulhado, meio atrofiado, meio, sei lá, resguardado talvez não seja a melhor palavra, porventura nem sei do que falo, porventura nem sei porque estou a escrever, porventura nem sei o que cá estou a fazer, pensando bem não sei mesmo, sei que é nos teus braços que me sinto bem, óptimo, é na tua companhia que me sinto resguardado, oh, abraça-me, beija-me e Ama-me.

Sem comentários: