segunda-feira

778890

a pessoa não está inspirada apenas com vontade de escrever, passou a noite a pensar e não chegou a lado nenhum, a ideia não é ser profundo ou poético, só quero mesmo escrever, não consigo encontrar amparo em mais lado nenhum, passei em revista algumas imagens e ideias mas nada me reconfortou, opa sei lá, o fumo é o mesmo mas a marca de cigarros não, tem sido um atrás do outro numa espécie de rotina ou ritual diário onde não consigo dormir, fico ali na cama meio sonâmbulo a pensar e a mexer-me, sinto-me tipo esparguete, é estranho eu sei mas é como me sinto, um fio fino e amarelo todo torcido sem qualquer tipo de reacção, estou ali especado, parado, não me sinto abandonado sinto-me desamparado, aquele sentimento de segurança desapareceu e está-me a ferver o cérebro, parece que só quando o cérebro começa a ferver é que consigo ter algum descanso mas hoje nem isso, o cérebro já fritou, as costas estão mastigadas, a dor na perna voltou, doí-me o estômago doí-me a cabeça, estou aflito mas não estou propriamente a queixar-me, ainda bem que estou a sentir dor, faz-me companhia no meio de tanto fumo, consegui baixar a persiana de modo a que entre só a luz necessária para que me sinta acordado e com sono, meio estranho, eu sei, mas está-me a saber tão bem este momento onde a luz é também parte da companhia no meio de tanto fumo, se não soubesse dizia que mais de metade do fumo me está a sair pelas orelhas mas é mentira, quase todo me saí pelos olhos, não estão inchados do choro, não estão vermelhos da falta de sono, estão com saudades de te ver, e é isto sei lá, é isto que sou, assim um bocado bruto, meio ríspido, mas fui eu, fui só eu, fui mais bruto do que o normal mas fui eu, não me quero ir deitar mas também não sei o que faça, faço pausas nas letras quando as músicas param e lá escolho outra e lá continuo a escrever sem saber o que dizer, à umas horas atrás apetecia-me dar pancada nalguma coisa, agora estou demasiado calmo para isso, só me apetece observar a luz que entra pela persiana e atravessa o fumo, acho tão bonito esta calma e esta luz, não acendi nenhum incenso mas parece que me cheira a tabaco, não me quero esconder através de palavras quero dar a cara, quero gritar, agora quero gritar e agora apetece-me bater nalguma coisa outra vez, não sei se foi da pausa por causa da musica que acabou, não sei se tem algo a ver com a nova música que começou a tocar a verdade é que neste momento sinto uma vontade enorme de dar porrada nalguma coisa, um bloco de esferovite servia-me, não pretendo fazer nenhuma demonstração de força animal, só queria mesmo partir qualquer coisa mas sem me esforçar muito, é a preguiça no seu esplendor, eu sei que não é, mas achei engraçado escrever tal coisa. eu sei que há pessoas que não gostam de textos sem parágrafos, o que acaba por ser engraçado porque eu gosto muito de pasteis-de-nata, à relativamente pouco tempo descobri que pôr canela no café ajuda a controlar a tensão arterial e reduz o colesterol, mas depois apercebi-me que tenho vinte e dois anos, tenho mesmo que me preocupar com esse tipo de coisas? como é que eu sei esse tipo de coisas? a verdade é que continuo com uma vontade enorme de escrever mas não me apetece dizer nada, eu não sei se alguém tem paciência para ler este tipo de merdas mas a verdade é que muito sinceramente eu não sei se tinha, será contradição ou hipocrisia? oh caralho, hipócrita és tu! cais-te na ratoeira, na facilidade de ofender alguém, é tão fácil não é? e elogiar alguém? escreves mal. eu sei, mas o elogio foi teu. com mais uma pausa veio mais uma música, por enquanto do mesmo artista, a tal preguiça que não me deu mais vontade do que partir a murro um bloco de esferovite também não me permite mudar de pasta e escolher outro artista nem mesmo outro álbum, no entanto é engraçado verificar que para acender mais um cigarro a preguiça não se intromete, estúpida queres-me matar e eu a ver. é chato, já só tenho dois cigarros e não me apetece mesmo mesmo nada ir comprar um maço, agora com a vossa licença vou ali só um segundo procurar outra música, noutra pasta, e agora que voltei vou continuar com a minha escrita pomposa, não estão a achar todo este texto uma espécie de declaração "ham ham? sei ou não sei escrever?" , epa mas não é a sério que não, estou só à toa e não sei que fazer, mais sincero não consigo ser, olho para o pacote das pastilhas mas alguém um dia disse-me que mastigar pastilhas e fumar ao mesmo tempo faz cancro na língua, eu não sabia que se podia ter cancro na língua, desde esse dia nunca mais fumei e mastiguei uma pastilha ao mesmo tempo, mas contudo continuo a gostar de pasteis de nata. já tenho o corpo todo torcido por inércia do meu próprio peso e do sono, bem tento manter-me direito mas já não consigo, acabo por não resistir e sucumbo à tentação de ter os ombros quase ao nível do pescoço, é engraçado que com esta luz, este fumo e esta música até isso me parece bem, eu já não sei o que diga mais mas a verdade é que não me apetece parar, estou numa de apetites, apetece-me isto apetece-me aquilo e acabo por não fazer nada, posso-vos jurar que não estou em campanha, posso jurar que não me estou a armar, posso jurar que não estou a querer dar um ar de graça, pois eu não acho que tenha graça nenhuma, não estou deprimido, ou frustrado, ou triste, estou assustado, tenho medo de perder aquele sentimento de segurança, aquela sensação de bem-estar, de well-being, é a mesma coisa mas pareceu-me chique meter aquilo em inglês - my girl, my girl, don't lie to me, tell me where did you sleep last night  - gostava de saber onde é que ele ia buscar estas merdas eu já tentei procurar mas não as encontro em lado nenhum, o que é bom, é óptimo por sinal, eram coisas dele, como eu tenho as minhas, mas o gajo matou-se e já não lhe posso perguntar nada, não era uma barrosidade enorme enviar um email ao Kurt a pedir conselhos? - Hey man, what should I do? Cmon help-me out, i'm in a place where the sun never shine - será que ele respondia? Interrogo-me sobre estas merdas, e sobre outras merdas, e acho saudável interrogar-me sobre merdas, se eu não me interrogar quem se interrogará por mim? não é? haverá pergunta tão parva que não se possa perguntar? não sei a resposta mas fica a pergunta.
pronto, um parágrafo, acho que começo a não curtir textos que não tenham parágrafos, porque será? aliviam a vista? não sei, mas fica a pergunta. eu juro que não estou a tentar armar-me em gracioso ou escritor, juro que não, mas curtia mesmo comer um pastel de natal, estou farto de fumar, mas o fumo agrada-me, já nem fumo pela nicotina ou pelo chamado vicio de boca, fumo pelo fumo, o fumo está-me a fazer uma companhia danada, e esta luz, foda-se eu estou apaixonado por esta luz que vai pelo fumo e o fumo mistura-se com a luz e parece uma fumarada brutal e única aqui no meu quarto à minha frente, e os meus olhos brilham sei e não olhei para eles não tenho nenhum espelho à minha frente, mas pensei em ti e tu dás-me brilho, dás-me um sossego uma calma e uma paz, dás-me segurança, eu bem que tento cantar e escrever o que sinto mas não consigo, já te disse que se pudesse abria a cabeça ao meio e mostrava-te, já te disse que se pudesse abria o peito ao meio e mostrava-te, se quiseres um dia experimenta-mos mas acredita eu Amo-te tanto. sabe tão bem sentir outra vez, e toda a gente sabe que sim, sabe bem sentir, sabe muito bem sentir, seja o que seja, por vezes mau, péssimo, por péssimo que seja o sentimento, se nos isolar-mos de tudo e pensarmos bem, não sabe tão bem sentir? não procuro sentimentos maus, pelo contrário penso que eu como toda a gente procura afastar-se de sentimentos maus e procura sempre os bons, e é bom, é bom saber que é assim que as coisas são e que é para ai que as coisas se encaminham, que se tenta procurar as boas cenas, vibes, ondas, ham? é no crú e no duro que se sente o poder, é na realidade que se sente, a realidade por vezes não se sabe muito bem de onde vem e é tão incrível como pequenas ondas se transformam em mecanismos tão macabros, se não veja-se: quando o observador produz uma ondulação que posteriormente se torna em vibração, o alvo da observação, ao absorver essa vibração reflecte-a, de uma maneira igual, menor ou superior, portanto qualquer que seja a vibração que chegue ao alvo é reflectida contra o observador e vice-versa. tenho algumas culpas no aspecto de que tive algumas dúvidas e também alguns medos, muitos medos, muita insegurança e ao transmitir essas ondas abro uma possibilidade, abrindo uma possibilidade abro uma porta, abrindo uma porta abro uma  oportunidade e fica o caldo entornado. e volta agora algo que acontece na generalidade das  vezes, vou escrevendo e abrindo caminho com os dedos a palavras que se vão soltando e ganhando forma à medida delas e não à minha, custa-me não conseguir definir de uma melhor maneira aquilo que tento estruturar em forma de palavras mas a  verdade é que estou a pensar em tanta coisa ao mesmo tempo que não faço ideia do que estou a escrever.
às vezes quando não faço algo bem ou sinto que fiz algo mal, sinto uma espécie de aperto na zona do peito, mesmo no meio, não sei explicar, mas quando as coisas não correm bem ou sinto que algo não está certo lá aparece aquela sensaçãozinha no meio do peito, não sei mesmo o que será e mais uma vez juro que não em estou a armar em escritor ou dramaturgo, estou só a tentar ser humano, ser pessoa, ser alguém, não creio que seja uma tentativa grave de chamar a atenção, estou só com vontade de gastar letras, de inseri-las aqui nesta caixinha branca que depois do meu quarto vai parar ao mundo, tenho pena que não tenham visto o fumo e esta magnifica luz, mas de certeza que eu também já perdi tanta coisa vossa que ninguém vai ficar chateado comigo. por exemplo às vezes pego em pequenos trechos que escrevi e colo-os no texto que estou a escrever, às vezes parece que se enquadram, parece que apesar de terem sido escritos em alturas diferentes com estados diferentes são de uma certa maneira o mesmo texto, aconteceu precisamente isso com este texto, peguei num pequeno trecho e colei ali no outro parágrafo, e não me soube bem, apareceu-me aquela sensação aqui mesmo no meio, mas deixo estar, ainda não me apercebi bem do que isto é e apesar de a acção não me ter parecido a melhor a verdade é que já a tomei e não me arrependo, a verdade é que não estou mesmo a conseguir parar de escrever e posso-vos garantir que nada disto está a ser planeado, não tinha uma ideia especifica em chegar aqui e balburdiar-me em palavras, mas a verdade é que a sensação de não conseguir parar de escrever me está a saber fantasticamente bem, vou ter que, mais uma vez ser bastante sincero, a verdade é que acabei de acender o último cigarro do maço e agora estou naquela fase em que se aprecia o cigarro mas sei que vai chegar a altura em que vou querer fumar outro mas não vou ter e então vai aparecer a dúvida, vou comprar mais ou não? isso implica vestir-me, calçar-me, provavelmente, despir-me, descalçar-me, tomar um duche rápido, vestir, calçar-me, ir ao café, voltar para casa, chegar a casa e pensar: foda-se, devia ter comido um pastel de nata. o cigarro acabou, a música acabou, estou com demasiada preguiça para ir escolher outra musica, logo, nem sequer ponho como hipótese ir tomar o tal duche rápido e ir ao café, portanto acho que fico por aqui, vou-me deitar e tentar arrochar, obrigado pela atenção.