quarta-feira

Henry Thoreau

"Sei que quando uma bolota e uma castanha caem uma ao lado da outra, esta não se mantém inerte, à espera que aquela germine; obedece cada uma às suas próprias leis, desenvolve-se, cresce e floresce cada uma o melhor que pode, até conseguir, casualmente, ultrapassar e destruir a outra. Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza morre. O mesmo acontece com o homem."

Henry David Thoreau 
A Desobediência Civil - Defesa de John Brown
não é apenas seguir o que sinto é no climax do que vejo que o que sou ou aquilo que o meu cérebro permite que eu me aperceba do que supostamente penso que acho que seja, quando no fundo só o eu na sua essência sabe quem sou, mas não me liberto do espírito nem da alma e cá continua a dúvida, vou eu acreditar na verdade de não saber quem sou sabendo à partida que o meu cérebro - eu? - sabe quem sou mantendo-me então numa espécie de ignorância sublime, onde quero saber mas procuro não querer saber muito mais do que aquilo que já sei que sou, e Deus, esse de D maiúsculo, esse que em tão menos do que uma semana fez aquilo que tantos homens à tantos anos tentam destruir, oh senhor que me oiças e me escutes, coisas distintas saberás tu melhor do que eu, oh senhor salva-me deste martírio desta espécie de vicio, destas vicissitudes, é na terra que sinto que cá não estou é ao pé de ti quando de olhos fechados me abres os olhos e me dizes que cá continuo com um sentido, digo-te envergonhado que não percebo a lógica do teu argumento e tu com um ar ainda mais envergonhado do que o meu dizes-me que não sabes como criaste tanto em tão pouco tempo, e é aí, nesse lugar onde se entranhou agora essa tua resposta ao qual chamo Eu - cérebro? -, que me rejubilo na ostentação da razão, e é ao descer as escadas do portão que ao chegar à entrada da realidade onde me sinto igual mas ao mesmo tempo diferente de tantos que penso que posso assumir com certezas a todos os quantos me queiram ouvir que falei com Deus.

domingo

Esteve-se algum tempo parado, mas nunca ninguém se sentiu odiado, houve uma necessidade, vinda de ideias remotas para que se parasse por tempo indeterminado, que me afastasse destas ideias atrofiadas e por vezes acidentadas, e oh que saudades, sabeis tu, vós, menino que foste, a falta que me fizeste? Letras e coisas de ti, virgulas, coisas bonitas, que saudades deste belo ponto final, daquele ponto de interrogação, oh meu querido inimigo, parágrafo que és, parágrafo que foste, parágrafo serás, e agora nem escrevo por vontade, escrevo porque cá estou e vou indo, continuo sem saber para onde vou e neste tempo de paragem apercebi-me de que essa sensação faz parte da magia da viagem.