segunda-feira

O que se quer de alguém que não sabe perder, alguém que no fundo é amor quando tudo o que fazes é crer, sentirás tu também dor ou apenas amas por prazer? E que mal tem amar por prazer? Tenho tantos dias para procurar respostas a tantas perguntas que aparecem sem querer, mas é hoje que procuro resolver o que julgo não saber, canto o que pensas porque me sinto capaz de fazer, tenho justificado a paixão, tenho justificado a ilusão, o tremor, o pavor, oh minha querida, nada do que somos parecerá finito, somos mais dois e acredita que justificado o meu amor te garanto que só a ti te quero adorar. Aflige-me a forma como se dispara, de olhos abertos sem remorsos, diz-se que é o mundo que temos mas fomos nós que o fizemos assim, em compensação quando se encontra tamanha emoção é o delírio, o caos, o bom caos, tanto se fala do bater de asas das borboletas e no fundo tão pouco se faz por esse prazer, angustiado puxei para o lado a sensação de que já não ia conseguir voar, se eu te conseguisse descrever a sensação quando comecei a pairar. É nos beijos que me dás que sinto comparável emoção, não julgues que nos procuro comparar, eu sei que somos amantes.

Amo-te,
Nada agora e sempre mais nada do que apenas palavras envoltas neste fumo que tende em não querer desaparecer com tanto sopro e esforço da minha parte para que isso aconteça, mas no fundo é no meio de toda este nevoeiro ou talvez suave neblina de pensamentos também eles não tão maus como se querem fazer parecer, digo isto pelo esforço que tiveram em fazerem-se nota, perdeu-se o vicio ou a linha, portanto perdeu-se a vontade e a força com que se seguia nesta viagem sem rumo mas que tanto gozo dá, viajar sem sentido portanto, divagar com um sorriso, tanto amor exposto nestes passos ainda sensíveis ao toque, oh a paixão que rejuvenesce e agradece a alma que não é pequena que cresce e floresce como se o sol nascesse só para mim, evito os olhares invejosos acreditando - piamante! - que cada pingo de inveja - adjacente nos sorrisos - é nada mais do que a ignorância prematura da falta de bom senso, esse que teima em só aparecer quando é conveniente, mas de que raio falamos, de que raio falamos se no fundo não sabemos do que falamos? Falamos por falar, divagamos por falar, e sabe tão bem, não é a importância da expressão ou a liberdade da mesma que me move, tão pouco existe qualquer tipo de necessidade de provar o que quer que seja a quem quer que seja, existe sim no fundo, uma forma de escape, uma necessidade de escape difuso que me anima, que me faz sentir no fundo feliz por saber que isto sou eu, que me tornei assim involuntariamente, que fui evoluindo e progredindo involuntariamente e que este bichinho que não pára nem quero que pare ou acabe continua por cá sem saber que involuntariamente com muita vontade da minha parte eu o alimento e invariavelmente ele me alimenta a mim, existe uma simbiose em que eu sou o que não sabia que um dia viria a ser, uma espécie de escritor que mal sabe do que fala mas que adora falar seja do que for apenas porque sim, porque existe essa possibilidade e porque essa felicidade por alguma razão me dá uma razão para continuar a acreditar que sei do que falo. Tenho em fé que sou boa pessoa, apesar de todas as condicionantes psicológicas às quais acredito ser anexo - quando no fundo é bárbaro dizer tal coisa tendo em conta que não sou sem a mente nem a mente é sem mim, penso.
Nada me dá mais prazer do que divagar por estas costuras de fala, por este meio que eu produzo e que no fundo é um pouco de mim, procuro sempre tentar ser mais do que sinto quando escrevo, tento exponenciar aquilo que num dado momento sou e fui para criar uma ilusão que possa parecer mais apelativa a quem me lê, a quem pensa que por cá vir, por cá passar, me conhece, me compreende, me percebe, mas tão errado é essa conclusão como pensar que o gravidade é responsável por fazer com que as pessoas se apaixonem, sou um pouco do que mostro mas não sou metade do que aparento, sou sensível e mimado, sou um apaixonado, sou histérico na falta de amor, sinto uma atracção enorme pelo bem, sou humano, sou rapaz, sou homem, sou pessoa, tenho fraquezas e já roubei, tenho ciúmes e já odiei, mas nada disto faz com alguém me conhece, embora essa ilusão possa parecer romântica eu sou apenas o que me deixam ser e é muito complicado alguém saber quem sou pelo que escrevo, sabendo à partida que nunca ouviram a minha voz, numa me viram a chorar ou a rir, numa partilharam um cigarro comigo, um café, uma noite mal dormida ou uma tarde com demasiado sono. Não pretendo meter ninguém num jarro e obrigar essa pessoa a viver comigo, mas é nisto que este blog se tornou, um bocado de mim, já grande, onde quem cá vem procura não apenas ler o que escrevo mas conhecer-me um pouco mais, os meus gostos e desgostos, e é isso que eu tenho dado, gostos e desgostos, opiniões, pouco mais, existem frustrações e emoções que não partilho nem acho que seja certo partilhar, este blog tornou-se algo muito querido para mim, tornou-se um canto onde desabafo e partilho e agradeço a toda a gente que por cá tem passado e doado um pouco do seu tempo para ler o que escrevo, é o maior presente que me podem dar, um pouco do vosso tempo, perdido nas minhas divagações sem sentido.