domingo

Caprichoso

Nada no fundo em vão, continua a parede de ferro a pairar sobre a nuvem de espuma, sobe sobe cavalinho sobre, pairando no ar qual gaivota sem mar, ah e o arrojo deste pássaro lunático e oscilante qual giroscópio falante, ordinário e fulminante, apaixonado sem dona do seu coração, triste e ansioso para que alguém lhe toque, o leve, leve levemente como quem chama por mim, ai de mim se não atendo ao toque e perco mais uma vez a chamada, dela, do sabor que tanta falta me faz, fica a ecoar na eternidade a pergunta do Jim, o que é que eles fizeram? Nada, por isso cá estamos. Quietos e na mesma, nada calmos, pelo contrário bastante agitados e tremidos, sem fé, com fé na loucura e rugimos e fugimos, por selvas de cimento oramos pela paz que tarda a chegar, e estamos malucos? Sim! SIM! Com as prioridades trocadas, aniquiladas, suprimidas e devastadas, ai deles, e ai de mim, oh o maluco que sou e que me tornei, o louco! LOUCO! Louco certo nesta sociedade de pessoas certas, incólumes de crimes, criminosos, traidores, avarentos, suculento prazer o carnal, a paixão trocada por rascunhos com bonecos, triste, tristeza, foderam a nobreza, e continuam a rugir na mesma selva sem dono, devastada e trucidada por palavras sem valor, e dá para rir, já ninguém sabe chorar e quem se lembra é morto a tiro por esquadrões da dita paz, essa que chega em tantas formas menos na original, e o olhar inocente pergunta de onde vem visto, eu procuro responder mas nada me sai, solto-me nesta envergadura indecente mas! inocente, caprichosa por um bom olhar daqueles que sei que me vão saber apreciar, por muito que tarde, só espero que cheguei, pois bem, caso não aconteça, acabará por invariavelmente poder-se dizer que ao menos foi escrito, que ao menos saiu de mim, que agora paira por aqui e por ali, tornando-se no fundo verdadeiro embora talvez sem pingo de verdade, torna-se único, meu, teu, nosso, mas não dos malucos.. dos loucos! Desses, desses que conheceram paz e que a souberam apreciar sem o barulho do gatilho, agora só resta os crente com dedos pesados que atiram sem razão ou omissão, pois agora ninguém omite, agora ninguém esconde, está à vista a verdade, a nua e a crua, está à espreita a crueldade, a nua e a crua, e ninguém ainda hoje sabe onde se enfiou a felicidade.

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