quinta-feira

Mala Suerte

Se na procura de felicidade só encontramos frustração porque continuamos a tentar? Esperança? Acabo por continuar a não conseguir dirigir-me nos actos e nas palavras da melhor maneira que devia, atiro-me de cabeça e de coração aberto para um tormento de espinhos e quando me dou conta estou todo furado, deixo escorrer por cada buraco um sem fim de emoções onde o recipiente acabo por ser eu portanto não faz sentido, sabendo à partida que é isto que vai acontecer, que me continue a atirar com tanta esperança de que desta vez vai ser diferente, e onde o erro acaba por ser meu, toda uma razão me diz que não é apenas de mim que parte o erro mas toda uma razão me diz que só de mim parte a força para tentar mudar não só os meus erros mas também os dela, mas, tendo em conta os detalhes que me chegam e vendo que nela não existe força para que essa mudança vá em frente que opção me resta se não desistir de tentar mas não de continuar a sonhar de que um dia possa ser diferente? Digo isto sem vergonha: acho que errei outra vez, acho que voltei a não conseguir ser feliz e acabei por chegar a casa com um fardo de frustração quando tantas vezes sonhei voltar carregado de memórias frescas de beijos soltos e palavras ainda ditas, com alguma ansiedade. Mas não fico triste, não fico melancólico, não vou abaixo, não permito, não deixo, não quero, não estou, e quando só me apetece ganir uivo, uivo o mais alto que consigo e solto numa única nota todo este ardor deixando apenas esta paixão platónica por romances disfuncionais que tanto de mim faz parte como a unha na carne. Sou feliz por tentar, sou feliz por ter a possibilidade e a liberdade de tentar, e beijei, e Deus, digo-te agora em forma de desabafo, esmeraste-te com a mulher. Que forma que lábios que seios que olhos!! Haverá melhor maneira de nos sentirmos vivos do que com uma mulher nos braços? Poucas coisas neste mundo, poucas experiências neste universo batem a sensação do que quando ela me olha daquela maneira, aquela forma de dizer come-me, sou tua, podes, deixo. Não se trata de uma conquista, absurdo! Trata-se daquele momento em que o universo pára e somos só nós, trata-se de um segundo que nos demonstra que realmente existimos, trata-se do que é real, trata-se de nós, nós e nós e nós e nós, nós neste mundo, nós neste universo, nós sós para nós, é imprescindível nunca perder isso, é imperial nunca deixar de amar. E eu amo. Muito. Oh se tu soubesses o quanto eu te amo. É isto que um dia te prometo quando finalmente te encontrar, amar-te como se fosses o meu primeiro e último amor.

domingo

Caprichoso

Nada no fundo em vão, continua a parede de ferro a pairar sobre a nuvem de espuma, sobe sobe cavalinho sobre, pairando no ar qual gaivota sem mar, ah e o arrojo deste pássaro lunático e oscilante qual giroscópio falante, ordinário e fulminante, apaixonado sem dona do seu coração, triste e ansioso para que alguém lhe toque, o leve, leve levemente como quem chama por mim, ai de mim se não atendo ao toque e perco mais uma vez a chamada, dela, do sabor que tanta falta me faz, fica a ecoar na eternidade a pergunta do Jim, o que é que eles fizeram? Nada, por isso cá estamos. Quietos e na mesma, nada calmos, pelo contrário bastante agitados e tremidos, sem fé, com fé na loucura e rugimos e fugimos, por selvas de cimento oramos pela paz que tarda a chegar, e estamos malucos? Sim! SIM! Com as prioridades trocadas, aniquiladas, suprimidas e devastadas, ai deles, e ai de mim, oh o maluco que sou e que me tornei, o louco! LOUCO! Louco certo nesta sociedade de pessoas certas, incólumes de crimes, criminosos, traidores, avarentos, suculento prazer o carnal, a paixão trocada por rascunhos com bonecos, triste, tristeza, foderam a nobreza, e continuam a rugir na mesma selva sem dono, devastada e trucidada por palavras sem valor, e dá para rir, já ninguém sabe chorar e quem se lembra é morto a tiro por esquadrões da dita paz, essa que chega em tantas formas menos na original, e o olhar inocente pergunta de onde vem visto, eu procuro responder mas nada me sai, solto-me nesta envergadura indecente mas! inocente, caprichosa por um bom olhar daqueles que sei que me vão saber apreciar, por muito que tarde, só espero que cheguei, pois bem, caso não aconteça, acabará por invariavelmente poder-se dizer que ao menos foi escrito, que ao menos saiu de mim, que agora paira por aqui e por ali, tornando-se no fundo verdadeiro embora talvez sem pingo de verdade, torna-se único, meu, teu, nosso, mas não dos malucos.. dos loucos! Desses, desses que conheceram paz e que a souberam apreciar sem o barulho do gatilho, agora só resta os crente com dedos pesados que atiram sem razão ou omissão, pois agora ninguém omite, agora ninguém esconde, está à vista a verdade, a nua e a crua, está à espreita a crueldade, a nua e a crua, e ninguém ainda hoje sabe onde se enfiou a felicidade.