sexta-feira

Sorrow

Na ânsia de sermos melhor do que os outros, de queremos superar alguém acabamos por não nos superarmos a nós mesmos, tornam-se os actos dos outros um objectivo nosso, mas não os relevantes. Ninguém se interessa por subir uma montanha, pfft, qualquer um sem dedos ou meio nariz faz isso, interessa-nos comer aquela chavala. Guiar aquele carro. Ter a atenção daquela pessoa. Enfim, produzimo-nos numa sociedade ecléctica sem dúvida, mas onde as diferenças são em tudo iguais (vá semelhantes, similares, merda), ando à algum tempo a esbater neste assunto porque acima de tudo fascina-me, não o adoro particularmente mais do que a outro assunto, admiro isso sim a sua persistência temática. Fazendo o esforço por ensinar o seu filho a ser melhor do que o filho do vizinho, incentiva o filho a esforçar-se procurando por vezes usar o seu filho para ver realizado um sonho ou um objectivo falhado por si, torna-se o filho o bode expiatório do insucesso dos pais, ou não. Dando ao filho tudo o que ele pede, exige, tornando-o o centro das atenções ignora o facto do filho ser um falhado em tudo menos no facto de ser adorado, só isso importa, ou não.
Pelo fumo de um cigarro ainda não feito logo ainda não aceso e sem qualquer tipo de bafo portanto fumado, torna-se preta a imagem que nos deixa esta gente, mal educados ou simplesmente habituados a um comodismo imposto? Será imposto?
É complicado abanar o sistema, resta-nos reagir, dar-mos conta de que estamos inconformados e obstinados a pelo menos tentar criar uma onda de mudança, de melhoramento, apressemos então a procissão das velas que tantas santidades zelam, será perigoso exigir de alguém comum, como eu, um mundo diferente? Em que medida posso eu ser um elo para a mudança? Porque razão duvido que não o possa ser? Há provas de que a força de vontade, em que a FORÇA de vontade mais do que a própria esperança ou fé (erro comum enfiar ambas no mesmo saco) se torna a maior arma contra a hipocrisia, o mal-dizer, a mesquinhice, e por ai fora contra todas as caralhadas que no dia-a-dia nos dão um travo de azia no estômago. De que me serve a esperança de que um dia algumas mentalidades e atitudes perante, tudo, se requalifiquem para melhor, se não partir de mim a FORÇA de vontade para que, grão a grão, melhore? E quem sou eu para dizer o que está certo ou errado? O que está mal ou bem? Ninguém. De que maneira é que me sinto diferente dos outros? Nenhuma. Superior? Nada. Inferior? Nunca.
Sem o feio nunca conseguiria apreciar o bonito, sem o mal nunca conseguiria perseguir o bem, neste contexto, neste mundo de dualidades e de livre arbítrio, sinto-me afortunado por ter FORÇA de vontade para me tornar num homem melhor.

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