terça-feira

Bica

Tento trocar uma bica por um sorriso, mas ninguém se ilude. De cara fechada a empregada pede-me um determinado valor, anseio pelo troco certo pois a minha matemática é nula e faz anos que me sinto enganado.
Nunca lá fui com contas, há quem não passe sem um relógio eu não vivo sem uma máquina de calcular. Mesmo para trocos ou contas de menor valor soltam-se uns quantos parafusos, é sempre uma sensação de frustração esta minha negação com as contas, não anseio ser gestor, contabilista ou professor, só normal, como diz a Nica vulgar, farto de sem abrir a boca provocar expectativas que tal como uma conta de 2+2 acaba por dar 3 e meio. Não correspondo às expectativas, demoro a criar confiança mas quando a tenho não a largo, procuro preservá-la.
Estou sentado num café a escrever, porque espero, porque oiço, porque vejo, porque quero. Fiz da mesa onde se pousam chávenas e frizes uma espécie de escritório cheio de pacotes de açúcar e cinza fora do sitio, enquanto isto o café tem estado a esfriar e a veia a arrefecer, todo este Português aqui estagnado, nunca seguindo o ditado "Apenas para inglês ver", pois daqui só sai pecado mas sempre delicado, sem promessas por cumprir limito-me a apreciar o branco tão recentemente fustigado por uma BIC de tom azulado, enfim sou um frustrado, um apaixonado, um bem-amado por aquelas pessoas que sei que estarão sempre a meu lado.
Mais uma vez é dessas que falo, é dessas que sinto uma necessidade que se veja algo escrito e aclamado, são essas que me fazem sorrir por as ter amado, por as amar e querer apreciar. Valerá isto uma bica?

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