segunda-feira

uff!

haveria de estar agora aqui, fazia tempo que já assim não sentia, tanto que se disse e ficou por dizer e numa letra tão bem esgalhada ficou tudo tão claro. agora tudo tão claro, claro como a claridade que tudo claro torna e entretanto fica, uma clareza de pensamentos e ideias, faças o que faças, é só nosso este pequeno desejo mais do que um segredo, procuras tudo, e cliché dos clichés: nada encontras. que andarás a fazer se não, cliché dos clichés: procurar mal? que saberei eu de.. disto, de tudo, nada sei de nada e julgo saber de algo, que no fundo nem eu sei o que é, que misto de emoção, solta-se mais um palavrão e canto, canto por ti a pensar em ti, oh o romântico que ele está, mas nada disto é certo, ninguém assume que seja errado é impossível que seja errado sabendo tão certo, e sabe tão bem..
feito zombie caminho pelo mesmo corredor de sempre, o da falsa aparência do engano e da confusão, eu sei o que sinto e sei o que sentes, e arde! nada sei saber porque não me lembro sequer de estar a escrever, sai-me a ritmo demorado cada uma destas, sei lá, palavras sem sentido, amorfas, amo-te. não sei mais descrever, não sei mais arranjar maneira de descrever amor, amor amor, nada de amorfo, nada de vulgar, nada de cliché, nada de sedução ou aproximação, nada! nada nada nada, amo-te, e é isto meu amor, nesta imensidão de amor onde tudo é paixão, onde nada! nada! é ilusão, que eu sei que te amo meu amor, que querido o sorriso que esboço ao ver o céu a sorrir para mim, sei que pensas em mim e em todas as nuvens as tuas feições tornam-se reais, nada disto é ilusão meu amor, é amor amor amor, e eu amo-te meu amor.
ao toque, suave suave, ao suave toque de mais uma batida entra-me pelo ouvido e chega-me ao cérebro aquilo que julgo ser a razão dos meus pecados, a podridão do meu ser, eu saber que sou fraco de espirito. mas que horror, ódio, temor, peco, peco por ti meu amor! e tudo isto é amor. minha adorada, amada, se tu soubesses a tranquilidade que me trazes, o bem que me fazes sentir quando estou a teu lado, é por estas alturas que esboço mais um sorriso, solto mais um suspiro. e ela, com toda a sua loucura, diabrura, fortalece-me o espírito, e ela, com toda a sua loucura, diabrura, fortalece-me o espírito, e ela é amor, é amor, amo-te meu amor. e é deste sabor que eu sinto falta, sentia, tinha saudades paixão obrigada.

John Coltrane Quintet with Eric Dolphy - Impressions

O Lobo e o Homem

"A raiz da inteligência assenta na capacidade de enganar e manipular; a moral alicerça-se no poder e na mentira; a consciência de que vamos morrer leva-nos a tomar decisões duvidosas, como lutar e ter sucesso, para dar um sentido à vida - o que nos torna infelizes."

- Mark Rowlands

sexta-feira

Sorrow

Na ânsia de sermos melhor do que os outros, de queremos superar alguém acabamos por não nos superarmos a nós mesmos, tornam-se os actos dos outros um objectivo nosso, mas não os relevantes. Ninguém se interessa por subir uma montanha, pfft, qualquer um sem dedos ou meio nariz faz isso, interessa-nos comer aquela chavala. Guiar aquele carro. Ter a atenção daquela pessoa. Enfim, produzimo-nos numa sociedade ecléctica sem dúvida, mas onde as diferenças são em tudo iguais (vá semelhantes, similares, merda), ando à algum tempo a esbater neste assunto porque acima de tudo fascina-me, não o adoro particularmente mais do que a outro assunto, admiro isso sim a sua persistência temática. Fazendo o esforço por ensinar o seu filho a ser melhor do que o filho do vizinho, incentiva o filho a esforçar-se procurando por vezes usar o seu filho para ver realizado um sonho ou um objectivo falhado por si, torna-se o filho o bode expiatório do insucesso dos pais, ou não. Dando ao filho tudo o que ele pede, exige, tornando-o o centro das atenções ignora o facto do filho ser um falhado em tudo menos no facto de ser adorado, só isso importa, ou não.
Pelo fumo de um cigarro ainda não feito logo ainda não aceso e sem qualquer tipo de bafo portanto fumado, torna-se preta a imagem que nos deixa esta gente, mal educados ou simplesmente habituados a um comodismo imposto? Será imposto?
É complicado abanar o sistema, resta-nos reagir, dar-mos conta de que estamos inconformados e obstinados a pelo menos tentar criar uma onda de mudança, de melhoramento, apressemos então a procissão das velas que tantas santidades zelam, será perigoso exigir de alguém comum, como eu, um mundo diferente? Em que medida posso eu ser um elo para a mudança? Porque razão duvido que não o possa ser? Há provas de que a força de vontade, em que a FORÇA de vontade mais do que a própria esperança ou fé (erro comum enfiar ambas no mesmo saco) se torna a maior arma contra a hipocrisia, o mal-dizer, a mesquinhice, e por ai fora contra todas as caralhadas que no dia-a-dia nos dão um travo de azia no estômago. De que me serve a esperança de que um dia algumas mentalidades e atitudes perante, tudo, se requalifiquem para melhor, se não partir de mim a FORÇA de vontade para que, grão a grão, melhore? E quem sou eu para dizer o que está certo ou errado? O que está mal ou bem? Ninguém. De que maneira é que me sinto diferente dos outros? Nenhuma. Superior? Nada. Inferior? Nunca.
Sem o feio nunca conseguiria apreciar o bonito, sem o mal nunca conseguiria perseguir o bem, neste contexto, neste mundo de dualidades e de livre arbítrio, sinto-me afortunado por ter FORÇA de vontade para me tornar num homem melhor.

terça-feira

Bica

Tento trocar uma bica por um sorriso, mas ninguém se ilude. De cara fechada a empregada pede-me um determinado valor, anseio pelo troco certo pois a minha matemática é nula e faz anos que me sinto enganado.
Nunca lá fui com contas, há quem não passe sem um relógio eu não vivo sem uma máquina de calcular. Mesmo para trocos ou contas de menor valor soltam-se uns quantos parafusos, é sempre uma sensação de frustração esta minha negação com as contas, não anseio ser gestor, contabilista ou professor, só normal, como diz a Nica vulgar, farto de sem abrir a boca provocar expectativas que tal como uma conta de 2+2 acaba por dar 3 e meio. Não correspondo às expectativas, demoro a criar confiança mas quando a tenho não a largo, procuro preservá-la.
Estou sentado num café a escrever, porque espero, porque oiço, porque vejo, porque quero. Fiz da mesa onde se pousam chávenas e frizes uma espécie de escritório cheio de pacotes de açúcar e cinza fora do sitio, enquanto isto o café tem estado a esfriar e a veia a arrefecer, todo este Português aqui estagnado, nunca seguindo o ditado "Apenas para inglês ver", pois daqui só sai pecado mas sempre delicado, sem promessas por cumprir limito-me a apreciar o branco tão recentemente fustigado por uma BIC de tom azulado, enfim sou um frustrado, um apaixonado, um bem-amado por aquelas pessoas que sei que estarão sempre a meu lado.
Mais uma vez é dessas que falo, é dessas que sinto uma necessidade que se veja algo escrito e aclamado, são essas que me fazem sorrir por as ter amado, por as amar e querer apreciar. Valerá isto uma bica?

Assim se produz um louco

Pobre miúdo, ainda nem chegou à idade da razão e a pessoa que ele mais ama não lhe dá atenção. Por um pequeno valor, um rio seco de prazer, pôs de parte a emoção de ensinar mas mais do que isso de aprender. Negligenciou aquele que mais lhe quer, aquele que por ela chora e por ela chama no momento de um dói-dói. Pobre miúdo esse que me disse que eu tinha um chapéu de rei, pobre miúdo esse que viu água onde ninguém vê ou alguém algum dia acabará por ver, alegre alma a deste miúdo que sem saber quem sou preocupou-se com o cigarro que eu tinha aceso.
Quem nos faz perder isto? Os patrões, abaixo as hierarquias, com o caralho as falsas filosofias e esta tão grande falta de senso comum para com aqueles que na verdade nos dão algum valor.