quarta-feira

O Principezinho

"Na altura não fui capaz de compreender nada! Devia tê-la avaliado pelos actos e não pelas palavras. Ela perfumava-me e iluminava-me. Nunca devia ter fugido! Devia ter adivinhado a sua ternura por trás das suas pobres astúcias. As flores são tão contraditórias! Mas era demasiado jovem para saber amar."

segunda-feira

Clichê Clichês

Sem as escolhas que elas fazem, sentem-se apenas bem com uma certa presença, procuram uma experiência que se mantenha uma noite, que fique. Querem segurança dentro do modelo que acham certo para si, procuram felicidade dentro de um prisma criado por outros, sabendo que é "aquilo" que sabe bem ao ser feito, que é apreciado pelos outros ao ser feito, visto, acariciado portanto, nutrido entre tantos e talvez muitos, talvez mais do que se pensa. Eu, sinceramente, não sei. Não faço parte desse estilo, desse grupo definido ainda hoje sem algum tipo de definição, os jovens vá, aqueles os "fixes", os contemporâneos à sua maneira de uma forma estilizada por outros há alguns anos, uma linha de ideias que ficou, que cresceu, que prosperou nas cabeças de uns e acabou por encontrar a sua "razão-de-quê" na cabeça de outros.
São os que ao assumirem uma maneira de ser e um estilo de vida, deram aos outros nada mais do que falta de argumentos para os criticar. É muito mais fácil para os cépticos, aqueles que criticam, aceitar as diferenças dos outros quando os outros sabem quem são, se a dúvida partir dos outros terão os cépticos razão, afirmo isto sem medos, faz anos que olho e procuro em cada pessoa uma espécie de grupo, discrimino sem pudor. Fazem-no comigo, quem terá razão? Não me imagino parte de qualquer grupo nem me vejo inserido em nenhum, sinto-me desprovido de conceitos sociais, assumo-me como uma pessoa que procura intensamente a resposta à tal pergunta: quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Tenho os meus complexos, as minhas dúvidas e os meus medos, os meus gostos e os meus segredos, sou alguém que mais não quer e mais não pede de que me deixem viver sem rótulos, sem presunções abismais, quero puder viver numa sociedade onde não tenha que me explicar se não o souber fazer, custará assim tanto?
Sem censura de lado a lado, vagueio novamente pelas palavras à procura de censo nas letras mas acabo por entrar em contradições, ora se discrimino, ora se escolho e se selecciono que moral tenho em pedir que não me apontem o dedo por não me sentir acolhido em nenhum grupo especifico daqueles pré-concebidos por anos e anos de publicidade supérflua e maciça por parte de grandes multi-nacionais dos media mundiais? Nada do que me chega pelas revistas, pela televisão ou por jornais me fascina no que toca a classes sociais, considero a maioria dos grupos sociais genuinamente ridículos e banais.
Quando se entra num desses grupos a sensação de integração acaba por esconder a sensação de solidão, acha-se e acredita-se que ao vestirmo-nos e agir-mos de uma determinada maneira consoante e conforme o que é suposto dentro daquele grupo nada nos vencerá. Somos invencíveis, temos amigos e fiéis companheiros. Mas o que acontece quando, tendo já confiança, mostramos um pouco de nós, fora do que é suposto? Cai a máscara. Hipócritas. Farsantes. Revelam-se os amigos de circunstância e pomposos amantes, a sensação de solidão acaba por esconder a sensação de integração, apercebem-se então que mentiram a si próprios, desiludidos pela auto-imposta traição encontram-se perdidos, sobra um ou outro ombro daqueles onde se poisa para chorar. Ombros esses que não fazem parte de qualquer grupo, de qualquer estilo ou imposta suposição.
Para mim o único grupo onde me vejo e onde me sinto bem é com os meus amigos, os poucos a quem eu genuinamente sei que posso chamar de amigos, mas esses demoram a encontrar, esses foram nutridos, com esses sei que há uma mutua satisfação por saber que existe uma amizade, com esses sei que posso contar, e o melhor de tudo é que sei que os meus amigos não são de modas. Esses sabem quem são e eles sabem quem sou. Obrigado por tudo.

quarta-feira

numa outra maré

foda-se, e diz o gajo. estupidez que toca no absurdo, oh ideias desconsideradas no pequeno fim que teve o seu breve inicio, e então fez-se a luz da ideia, aquela absurda, e foda-se disse o gajo. porém, palavra pouco usada por tais dedos já fartos, cansados, ansiosos por escrever e conseguir apreciar aquela ânsia (já de si ansiosa) de enfiar mais uma palavra à frente de mais uma letra. pois mas, nem tudo estará correcto a não ser que seja corrigido, mas porquê corrigir se normalmente fica-se pela questão do mal compreendido. mal consciente, ou então inconsciente, só triste ou pouco, vá, decadente. diz quem sabe que os outros nem tudo sabem, que aqueles tudo querem e que os demais tudo devem, mas quem começou tal dito? agora ninguém o acaba, agora alguém o inventou, não vale mais ditos stop, parou por aqui um dito agora no inicio terminado no seu breve fim. ficamos assim, mal compreendidos, intransigentes porém amados, acarinhados, acariciados, com saudades de certas palavras pronunciadas por determinados lábios, oh minha querida e singela mas sempre desastrada e intempestuosa paixão não me voltes a deixar em vão este tão morto coração. sangra por mim e vive por mim, bate por mim e divide-se em tempos por ti, diz-lhe o cérebro que continue, diz-lhe o cérebro que não morra, responde-lhe ele que tal não acontecerá enquanto existir amor por onde lavrar. e haverá, como sempre houve e sempre haverá.