terça-feira

State of approach

Um vazio inesperado num verão por começar, as tardes passadas no ar acabaram à toa sem qualquer tipo de aviso onde as horas passavam a voar e enfim, tanto tempo dedicado a um estilo de vida que sempre pensei que nunca fosse mudar. E sei lá, agora que vejo o que realmente acabou por acontecer apercebo-me que fui recambiado para outro lugar porque não fazia falta ou simplesmente, sei lá (outra vez) não era suposto, sem capacidade para argumentar ponho de lado qualquer teoria parva e pouco coesa, sei apenas que sinto falta daquela segurança de saber que para sempre ia ter aquela espécie de irmão, e agora que me apercebo que vivi a pensar que um dia alguém se ia lembrar de mim, que me podiam vir buscar com saudades de tanta merda dita sem sentido mas com tanta liberdade sem censura ou moções gritantes contra a livre expressão dos gatafunhos por norma deliberadamente odiados pelos demais por serem demasiado anormais.
Estou-me a abrir, sem sentido nexo ou razão, apenas porque sinto que começo a fraquejar do coração, sozinho, perdido mas sem aquele sentimento estúpido de abandono ressentido ou sei lá (outra vez) ressentimento de abandono. Mas será que não consigo dizer nada de jeito hoje? Carrego nas teclas à procura de uma linha de raciocínio com alguma lógica, mas só me saem palavras disparatadas e sem sentido, que falta de senso destas unhas mascaradas de púdicos escritores, leitores danados por não saberem escrever com inveja de quem, com duas breves passagens pelas teclas conseguem dizer o que ninguém se apercebe, nem eu, no fundo.. nem eu. Serei eu o leitor ou o escritor? Que puta de pergunta a quem mal sabe fazer a cama, mas faço-a! Não há dia que saia de casa sem fazer a cama, mal ou bem, esforço-me, e faço-a, e fica feita, depois chego a casa, e desfaço-a, e todo este processo recorrente é-me indiferente, nem sei porque aqui o escrevi talvez apenas por busca de atenção, aquela que preciso, aquela que já tentei comprar nos chineses mas disseram-me sempre que não a vendiam a imigrantes, puta de sorte a minha, se nem os chineses me safam mais vale seguir em frente, sozinho e sem, COM rumo, mas que rumo o meu? Se dantes, SE DANTES, não o sabia e acabei por o agarrar quem me diz a mim que tão depressa não aparecerá, da mesma maneira que se foi aquele rumo que eu um dia acabei por perder?
A falta de confiança levou-me a acreditar que todos os pensamentos que me entravam pelos ouvidos adentro, ADENTRO, eram realidades em que podia confiar, sem por em causa tais realidades acabei por viver dentro de uma mentira criada por outros, pintada e estilizada por mim, onde os décors eram perfeitos e a crueldade da realidade no fundo real, acaba por ser posta de parte tendo em conta a negação categórica de quem não queria ser mas que no fundo acabava por parecer, fui um fantoche pelos meus ouvidos aos olhares dos outros, enfrasquei-me em negativismo por negar que o positivismo da coisa acabava por ficar negado relativamente ao que os outros achavam nunca sabendo que ao acreditar que no fundo o dono de mim sou eu comando eu o meu eu pondo imediatamente de parte a noção de que não é a realidade que me controla mas é a realidade que produz em mim tudo aquilo em que nunca acreditei por não julgar ser possível.

Arf.. enfim.

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