quarta-feira

lagarto na parede

voraz, passageiro, cruel pássaro que bate as suas asas sabendo que magoa
crias uma breve ilusão
nada, nada, nada, peixe nada
pergunta o bolo ao belo pavão

voas por cima de uma multidão
lá de cima vês amor
tentas suspirar paixão
mas sais melindrado e com pavor

sonhaste que conseguiste voar
pairaste sobre um céu claro
acreditaste que acabarias por amar
soubeste agora que deixaste cair o teu pote de barro

mas que barro, que barro é este?
a dúvida persiste
mas que barro será este?
a tentação persiste
serei eu o barro, ou será que o barro não existe?
até que a questão desiste
nunca o saberás porque fugiste

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