sexta-feira

Hey, I've been trying to meet you.

Nao sei se quero ir por ai, vagueio agora por aqui, prefiro agora vaguear por aqui. Saiem-me as palavras à toa, nao sei o que dizer nem sei porque o digo sei que digo, mas nao sei porquê. Que serei eu agora, foda-se, um papagaio? Que raio de nóia é esta com os papagaios? Por outro lado tem algum sentido pois sempre quis voar e nao paro de falar, que estranha sensaçao esta de nao saber o que digo seja o que falo. Agora que quero parar nao consigo, os dedos estao em constante movimento, cima baixo esquerda direita, o tipico nesta coisa dos teclados. Oh que ideias novas me trazes hoje tu sem eu te ter pedido nada, nao sei como te agradeça a ti meu amigo todas as gloriosas e impestuosas ideias, nascidas e criadas a partir de pedras esmigalhada seja, nada. Continuo sem saber quem és mas nao perco a esperança de um dia te encontrar. Se alguém agora, neste momento me perguntasse o que estou a fazer eu diria que nao sei, sei lá o que estou a fazer, eu nao estou a fazer nada, estou aqui sentado a ganhar sono, talvez seja essa a melhor desculpa. Pois, desculpa.
Estou no entanto sem fazer nada, a ganhar coragem para me levantar desta cadeira já sem algumas porcas e ir deitar-me. Que triste vida esta de escritor desempregado que nao sabe o que escrever e lamentavelmente nao sabe porque escreve, limita-se a escrever porque acha que nao sabe fazer mais nada, quando no entanto nem escrever sabe. MAS ESCREVE! Escreve e nao vai abaixo, NAO! Nao se vai deixar abater por tamanhas indiscrepâncias psicológicas e pouco naturais, que será agora entao? Mais um sentimento comum ou uma sensaçao estrangeira? Estranha? Oh que penor, que temor, que pavor, que estarei eu a fazer se nada sei fazer? Escrevo. E gosto. E cá estou eu a escrever, porque gosto, muitas vezes nao sei, sei apenas que gosto, e escrevo. Haverá melhor sensaçao do que fazer o que se gosta?
Bem me parecia que as letras estavam mais pequenas, olhei para todos os recantos e nada achei, comecei a estranhar mas depressa ignorei, nao desisti, nao vacilei, ignorei, comvidei-me a mim mesmo à ignorância porque ignorante nao é aquele que nao sabe é aquele que nao quer saber, e eu, meus amigos e amigas, meus companheiros nesta noite de guerra sem balas, eu, eu nao quis saber.

And if you save yourself, you will make him happy.

Oiço lá do fundo uma voz sem alma, oh quanto ela canta. Tento aproximar-me mas encontro um rio, um pequeno rio demasiado grande para mim, sento-me numa margem e só espero conseguir perceber o que ela canta, passam pássaros e coelhos, correm todos para o mesmo sitio mas tal como eu os coelhos também nao conseguem passar para a outra margem, passado algum tempo tenho à minha volta toda a espécie de bichos e animais, desde jacarés a mulas, todos em paz, parecem em paz, mas que raio será esta paz? Como pode uma voz criar tanta paz? Senta-se a meu lado alguém que de alguma maneira nao me é estranho e pergunta-me o que estou ali a fazer.
- A ouvir.
- Porquê?
- Sinto-me intrigado.
- Entao nao fazes ideia do que tudo isto significa?
- Nao.
- Que pensas que será?
- Nao sei.. nao percebo esta paz..
- Paz?
- Sim paz, temos à nossa volta toda a espécie de bichos e animais sentados a ouvir uma única voz, incrivel nao é?
- Talvez. Mas ninguem está aqui à procura de paz.
- Entao?
- Estao à espera.
- Como assim à espera?
- Estao à espera que a hora chegue.
- Que hora?
- A hora deles.
- A hora deles?
- Sim.
- Vao morrer?
- Posso-te apenas dizer que estao todos à espera da hora deles.
- Nao faz sentido..
- À bocado também nao.
- Mas agora faz menos sentido.
- Porquê?
- Qual é a lógica de se juntarem todos na margem de um rio a ouvir uma voz, sabe Deus de onde vem, e ficaram aqui à espera da morte?
- Deus nao tem nada a ver com isto, e eles nao estao à espera da morte.
- Entao estao à espera do quê?
- Estao à espera que as margens se unam e possam viver.
- O quê?
- Esta margem onde estás nao é nada, é uma fantasia, uma realidade criada por ti como a quiseste viver, como a soubeste viver. Quando as margens se unirem vais dar por ti com o seguinte dilema: Continuas a viver num sonho criado por ti, ou enfrentas uma realidade criada por outros.

Fico em espanto. Nao sei o que dizer, nao estava à espera, que digo? Que lhe digo? Parece tao certo nas suas palavras mas nada disto faz sentido.

- Talvez.. prefira viver num sonho criado por mim.
- Mas assim, nunca vais conhecer mais nenhuma realdiade.
- Eu sei, mas talvez nao seja isso que eu queira.
- Preferes entao viver seguro e tranquilo?
- Sim.
- Entao porque vieste parar à margem?
- Nao sei..
- Mas é obvio. Estás farto do teu sonho, sabes que queres e que precisas de entrar na realidade dos outros, de te provar no mundo dos outros, sabes mas nao queres assumir porque tens medo dos erros que cometeste.
- Mas tu conheces-me?
- Se te conheço? Eu criei-te.
- Criaste-me?
- Sou a voz que nunca quiseste ouvir. Vieste parar a esta margem porque ouviste uma voz, estavas perdido no teu sonho e correste para aqui, sabes que nao tens alternativa, desde que te falei da junçao das margens que nao tens parado de equacionar todas as hipoteses e já chegaste à conclusao que nao te resta outra soluçao que nao seja enfrentares quem és, saires da tua ilusao e encarares quem no fundo nunca soubeste ser. Tu sabes que precisas disto, mais do que ninguem, mais do que nunca, sabes que precisas disto, já nao falta muito para as margens se unirem, que vais fazer? Voltar para o teu sonho ideal fabricado segundo os teus principios, ou encarar toda uma nova experiência de medo, de amor, de paixao, de sofrimento, de rancor, de conhecimento, de honra e sacrificio? Já nao há muito para sonhar.. o teu sonho chegou ao fim e estás agora aqui, podes sempre sonhar em qualquer margem, numa vives num sonho e na outra aprendes novamente a sonhar.

Nada me parece certo, nao sei o que fazer, sinto-me preso mas começo a compreender. Talvez agora nao compreendar na totalidade mas compreendo o suficiente para ter consciência de que o melhor que tenho a fazer é passar para a outra margem. Chega de viver num mundo idealizado por mim onde todas as barreiras se ultrapassam com um simples olá ou um breve adeus, preciso disto.. preciso de enfrentar os meus medos e os meus erros, tenho que ter força para ir em frente e continuar esta minha batalha.

- Eu passo.
- Sim?
- Sim eu vou passar para a outra margem.
- Óptimo, decides a tempo, a voz está quase a calar-se.
- Eu sei.
- Sabes?
- Sim sei, sei que te vais calar.
- E como podes ter tanta certeza?
- Porque eu criei-te.
- Aprendeste rápido.
- Agora vai-te embora.
- Já nao me queres?
- Nao.
- Porquê?
- Nao fazes falta, obrigado pela breve simpatia e pela racionalidade, vou sozinho porque é sozinho que quero ir, é sozinho que sinto que devo ir e é sozinho que vou. Talvez um dia me arrependa mas neste momento é isto que sinto, por isso vai e nao voltes, se algum dia voltares é sinal que perdi a razao e se tiver que perder alguma coisa que seja a mim antes que à razao. Nao esperes que morra, porque nao morro, nao morro por ti nem por ninguem, nao esperes mais de mim do que possas esperar de alguém, no fundo sou humano e sei que vou errar. Contraditório passar para a outra margem para corrigir os meus erros sabendo à partida que vou errar mas nao me importo porque sei que vou amar.
- Tu e o amor..
- Que mal tem?
- Acho estúpido ainda acreditares que é o amor que te vai salvar.
- Eu sei que nao é.
- Entao porque tens tanta fé no amor?
- Porque é de amor que mais sinto falta, nao é uma questao de fé é uma questao de saudade.
- Tens pessoas que te adoram e que te amam.
- Também sei disso.
- Entao.. porque dizes que sentes falta de amor?
- Nao sinto falta de receber, sinto falta de dar.
- Mas nao amas?
- Amo, muito, mas faz tempo que nao o sinto entre mim e ela, entre alguém que possa ter nos meus braços e dizer que é com ela que quero ficar, é desse amor que sinto falta.
- Esse amor às vezes tarda a chegar, ou pode mesmo nunca aparecer.
- Eu sei e nao me importo de esperar, tentei apressar e correu mal, agora vou simplesmente aprender a apreciar o tempo que passo sem amar para que quando encontre alguém para amar lhe possa dar todas as garantias que nunca a vou deixar de amar, que a vou apreciar e adorar, aclamar e mimar.
- Boa sorte.

"(...) Morte é o fim da vida, e toda a gente teme isso, só a Morte é temida pela Vida, e as duas reflectem-se em cada uma (...)" Oscar Wilde

1 comentário:

Estrela disse...

que texto mais lindo pedro :o
os teus dialogos internos sao profundos lol :)

acho que o amor chega apartir do momento em que deixamos de estar a procura dele... gosta de surpreender :)

beijinhos * adoro.te amigo