domingo

Tenho eu

Vejo peixinhos a voar, são assim meio a puxar para o laranja. Goldfishs voadores, uau. Creio que a partir de hoje acredito em ti, mas NÃO! Uma vaca com manchas. Quem diria. Tento procurar tudo o que não sei, mas não encontro nada. Quem diria. Há quem diga que estou a gozar, e eu não me queixo, sei que estou. Se gosto aguento, podias ser tu, mas a situação mudou, e eu faço o mesmo sempre. Aquele quadro na parede está torto, passo meio hora da minha vida, agora perdida, a ajeitá-lo, mas foda-se continua torto. Cago no quadro e vou perder mais tempo, enrolo um cigarro, menos 1 minuto, procuro o isqueiro, menos 5 minutos (estava na casa de banho), entretanto como fui à casa de banho fico mais uns 2 minutos a pensar se desfaço a barba ou não, acabo por não a fazer, volto para o quarto e sento-me, procuro uma boa musica para ouvir enquanto fumo, mais 10 minutos perdidos, perco-me sempre quando procuro aquela musica perfeita que acabo sempre por não encontrar e que só aparece quando meto o rhythmbox em shuffle. Há quem diga que vai jogar com outro boneco, eu não me preocupo sei que essa pessoa vai ganhar, é 1337, vou dando uns bafinhos no cigarro, as mortalhas são smoking pretas, apagam-se sempre putas, ou seja este cigarro em vez de 7 minutos quase que me durou para a tarde toda. E eu sei que não posso mentir, não minto, sou sincero, as vezes prefiro mentir, e se te disser que me sinto assim? Tu acreditas, oh, mas não gostas, e agora? Agora nada. Por favor não envelheças quero-te assim durante algum tempo. Por favor envelhece, mas comigo. Parei por um segundo, pensei, apercebi-me que está tudo aqui, braços, pernas, dedos, mãos, olha falta-me a cabeça. E agora? Vou à corrida aos perdidos e achados, nada. Um estranho, daqueles que parece que aparecem à toa mas que no fundo era suposto aparecerem olha para o meu peito de espanto (não tenho cabeça, tenho que usar o peito para mostrar emoções) pergunta-me:
- Onde está a tua cabeça?
- Não sei..
- Onde a perdeste?
- Se soubesse não estava aqui a falar contigo.
- Eu vi uma cabeça à pouco.
- Como era?
- Cabelo preto, olhos azuis..
- SIM! É a minha! Onde a viste?
- Estava a comprar um bilhete.
- Um bilhete? Que bilhete?
- Um daqueles que se oferecem nos aniversários.
- .. Um postal?
- Sim.
- Viste o que dizia?
- Não.

Corro, tento voar mas acabo sempre por cair, que dor de cabeça. Espera! Dor de cabeça? Oh, minha querida voltaste para mim. Ela diz-me agora que não tentou fugir, quis apenas espaço para pensar. Eu pergunto porquê. Ela diz-me que o coração a atrofia. Eu digo-lhe que não se preocupe, que por uns tempos vamos ser só nós. Tem calma minha querida, por uns tempos vamos ser só nós. O coração dá-me um soco no estômago e pergunta-me: "Então e eu?". Eu digo para ele não se preocupar, digo-lhe que agora não tem nada com que se preocupar, digo-lhe que agora está tudo bem. Ele continua confuso, parece chateado. Eu digo-lhe que não se preocupe, um dia vai ter dona.

2 comentários:

Tw| disse...

Um dia vai ter. Um dia vai...

Estrela disse...

mensagem linda!
(vai correr tudo bem)

* beijo