terça-feira

Pouco a pouco

Cedo chega, não tão depressa como desejei mas acabou por chegar. Agarro-me agora a este sentimento com o coração e os dentes, não o quero largar agora é meu. Sinto a noite a chegar, preta e escura mas com a iluminação suficiente para que te consiga ver, pensei que estivesses lá mais ao fundo nesta noite escurecida por sentimentos opostos mas aqui estás tu bem perto de mim. Que poesia deslavada é esta? Começo a fartar-me de tanto sentimento de tanta paixão de tanto amor, de tanto falar de emoções e falsas sensações, chega, afasta-te, foge comigo. Como vês, é contigo que quero fugir. Fugir disto e daquilo fugir de tudo e ficar só contigo, abraçar-te, ou sei lá amar-te, será que te quero amar? Será que te amo? O que será então todo este amor? Pergunto bem mas não sei bem a quem, será certo perguntar-me a mim o que sinto quando não sei a resposta? Que idiotice pensar que poderia responder a isto, começo outra vez a pensar, e penso penso penso penso penso, e tufas, lá vem outra parede. Esta é grande, alta mas não me parece que seja espessa, como a vou escalar? Vou ao bolso mas não encontro nada, nem pregos nem martelos nem uma escada imaginária. Saudades do tempo em que tinha o meu lápis mágico, podia agora desenhar uma porta e simplesmente passar para o outro lado, enfim, não o tenho, troquei-o por um beijo. Agora arrependo-me porque o beijo não foi assim grande coisa.
Será que tão cedo vou conseguir saltar esta parede? Sento-me e aprecio, no fundo isto é giro, estar aqui sentado em admiração de tamanha obra criada por mim que agora não consigo ultrapassar, ora crio, ora destruo, ora abandono, ora tento dar-lhe um soco, não sei.. que faço agora?
Ganho coragem, levanto-me e vou em frente, nada mais me passa pela cabeça, por alguma razão tenho um palpite que se for em frente ela vai-se afastar, mas não sei.. (outra vez não sei) será que resulta? Poderei eu ir em frente, poderei eu deitar abaixo uma parede criada por mim apenas com a força de um palpite no fundo também feito por mim, meu? Que lógica.. Vou em frente. Ganho balanço desde lá de trás, paro por um segundo para pensar e começo a correr. Tento deixar para trás todas as influencias más e qualquer tipo de negativismo, corro corro corro corro, a parede está cada vez mais próxima, a cada passo parece que se torna maior, os medos que deixei lá atrás começam a ultrapassar-me e lá estão eles mesmo à minha frente, mas não quero parar não consigo parar, mesmo antes de chocar contra a parede grito "NÃO!".

Passei.

Estou no outro lado, que fascínio. Existe agora aqui toda uma nova linha de ideias e de raciocínio por onde me guiar, estou neste momento num mundo meu, também meu, criado por mim, fiz isto sozinho? Apenas acreditei, apenas sonhei, apenas tentei ver e parece que acabei por ver, agora que vejo tudo me parece tão surreal, não sei (agora sei), serei eu isto? Agora sinto-me à vontade para me responder: Sim és isto, no fundo foste tudo, só não foste o que não quiseste, acredita um pouco, esforça-te um pouco, reage um pouco, pouco a pouco acabas por descobrir mais um pouco de ti, pouco a pouco conheces-te mais um pouco, se vires que demora não apresses limita-te a apreciar.
Não sei se quero que acabe aqui, a minha resposta não me parece plausível, não a percebo, deveria? Afinal fiz uma pergunta a mim mesmo, e como reflexo disso acabei por obter uma resposta também dada por mim mesmo, mas não a percebo. Estarei certo? Será certo seguir a minha própria resposta quando no fundo continuo com tantas perguntas? Mas.. será que algum dia vou ter todas as respostas ou apenas mais perguntas? Vida.. quando parece que temos todas as respostas lá vem ela e muda-nos todas as perguntas. Que viagem, que passagem. Agora só me apetece aproveitar, e criar e amar sei que me repito, mas é isto que quero, e cada vez me parece que sempre que o digo significa que acabei de perceber algo, de entender algo, parece que sempre que o digo ou perdi, ou cresci ou amadureci, no fundo sinto apenas que aprendi, e sabe tão bem aprender..

1 comentário:

Tw| disse...

A propósito de auto-confiança...

"A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade"
Rivarol, Antoine

Este teu citador é quase um oráculo... =P