sexta-feira

Short story

Salva-me, depressa pois começo a desaparecer, mas tu não te dás conta, permaneces feliz, satisfeita com as tuas ilusões sem te aperceberes que eu preciso de ti. Nunca te pedi mais do que um simples beijo, o meu único desejo é um beijo teu, mas tu viras a cara. Finges não ouvir, finges não te aperceber.
Não me vejo como uma voz experiente, não me vejo como um ser iluminado, mas vejo-me suficientemente preparado para te pedir um beijo, um beijo que me pode, NÃO! Um beijo que sei que me vai salvar, e grito, grito por ti, tento chamar-te à razão de que só um beijo teu me pode salvar, mas tu não ouves, desta vez não me parece que estejas a fingir, não queres mesmo ouvir.
Talvez um dia eu consiga perceber o teu medo, a razão pela qual não me queres beijar, de onde vem o teu receio? Tens medo de gostar? De te apaixonar? Não tenhas, é precisamente isso que eu quero.
Eu prometo amar-te, prometo cuidar de ti, prometo ser-te fiel, mas é mentira meu amor, só te quero por dois segundos, um segundo para te beijar e outro para te abandonar. Eu não gosto de ti eu nunca gostei de ti, eu apenas preciso de sentir que gosto de alguém. Do que eu realmente gosto é da sensação de gostar de alguém e tu, tu és um isco para a minha alma sedenta de atenção, um engodo que eu usei para me afastar da realidade.
Na minha realidade, no meu mundo, viver sem amor, viver sem paixão é pavor, pânico acentuado com todas as letras e acentuação gramatical, na minha realidade, no meu mundo, viver sem amor simplesmente não existe.
Eu preciso disto, é um vicio, preciso de acordar todos os dias e pensar em alguém que não em mim, em mim não penso pois não preciso, vejo-me todos os dias, imagino-me todos os dias, receio, respiro, adoro, como, fumo, faço tudo comigo todos os dias por isso passo os dias a imaginar como seria fazer tudo isto com outra pessoa, e hoje és tu, hoje preciso de um beijo teu para quebrar o feitiço, para encher a minha alma de paixão por um segundo, acredita ela alimenta-se pouco mas quando se alimenta, caraças, é tão.. ah, não sei, custa-me um bocado descrever o que sinto com tanta paixão.

Imagina que és uma pedra, parada no mesmo sitio à centenas de milhares de anos, sempre a apreciar a mesma vista, a mesma paisagem, talvez as mesmas caras, mas adoras, adoras cada segundo porque a paisagem é linda, imutável, e em tudo tu te identificas com aquela visão porque claro não conheces mais nada, o teu mundo é tudo o que os teus olhos vêm mas certo dia um sacana decide que tu és a melhor pedra para pontapear e tumba, és atirada para um lugar completamente diferente, e de repente todo um mundo se abre perante ti, tudo é diferente agora, as tuas ideias as tuas opiniões os teus preconceitos os teus medos, tudo muda e apercebes-te que tudo o que precisavas era de um pequeno empurrão de um sacana qualquer.

O sacana meu amor, é o beijo. Agora que me apercebi que esse beijo nunca vai chegar vou encerrar este capitulo, tenho pena porque no fundo sei que te ia amar por outro lado fico feliz porque realmente consegui ver quem és.
Tu sabias tudo o que eu queria mas recusaste-te a dar. No fundo sabias que ias gostar e com medo de não saber o que fazer decidiste não tentar. Meu amor, agora que sei quem és já não te consigo amar, agora sei que não arriscas com medo de gostar parece-me estúpido que algum dia te possa vir a amar.

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