quinta-feira

Outro dia

Há dias assim e hoje é um deles, outro. Custa-me a aceitar que esteja a passar por isto outra vez, bastou baixar um pouco a guarda e catrapum, lá anda esta merda aos saltos. Mas desta vez sinto-me um bocado mais preparado, sei lá maduro. Mas nao, na realidade sou um triste frustrado incapaz de assumir posição quando devo e não quando o tempo passa e já não há nada a fazer. Portanto acho que é por esta altura devo fazer aquela tal pergunta: y ahora quê?
Pois.. e agora? Agora nada não é? Vou ficar aqui a maltratar-me por não ter tido coragem suficiente para me afirmar num dado momento, por não ter tido coragem de assumir a minha opinião oportunamente e mais uma vez ando a deixar escapar todos os tempos que sei que mais tarde me vão fazer tanta falta.
Por isso não sei, talvez me refugie numa personalidade depressiva e triste como é norma, talvez me refugie numa personalidade "grumpy" e enfadonha, porque ao fim sei que não sei ser mais ninguém: alguém depressivo, grumpy e enfadonho. O que é bastante triste, mas mesmo muito triste porque tinha prometido a mim mesmo não pensar tanto, não me deixar levar tanto, mas não consegui, não consigo, e tanto que tentei.
Vou assumir portanto que sou um triste apaixonado, um frustrado apaixonado, alguém satisfatório nos primeiros tempos mas que pelo que me tenho apercebido chato e pressionante à medida que o tempo come o tempo, segundo por segundo. Mas não tenho culpa, terei? Ah.. terei? Pois então que faço? Procuro mudar outra vez sabendo que não consigo? Mas eu quero, o mais estranho é que quero, sinto que quero e sinto que posso mas não me sabe a nada sei lá, só sinto, nada.
Vejo-te, passas por mim e anseio que me toques mas não o fazes e é tão frustrante, tão.. tão caricato ter-te a uns escassos centímetros de mim e não ter permissão para te tocar sem primeiro arranjar uma desculpa. E lá estou eu outra vez a desculpar-me por não te ter sabendo que nunca te disse que é a ti que te quero e porquê? Porque me sinto receoso do enorme não, do (por esta altura nada-extraordinário não) não que já nem me devia atingir.
Neste momento eu sou aquela pessoa sem moral, sem estima, sem amor, sem paz, sem carinho, neste momento eu sou aquela pessoa outra vez à deriva tudo porque num certo momento me apareceste à frente da maneira como eu sempre imaginei.

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