sábado

Diálogos com as teclas

- Eu acho que sinto que já sei.
- Já?
- Yeap.
- E consegues explicar?
- Nop, nem por isso.
- Então não sabes.
- Sei, sinto, mas não sei explicar.
- Isso dá?
- Dá o quê?
- Sentir e não explicar.
- Pá.. parece que sim.
- Então o que sentes?
- Sinto..
- Não sabes?
- Sei o que sinto já te disse, mas se não te sei explicar o que sinto portanto como queres que te diga o que sinto?
- Ok ok não te chateies.
- Não tou chateado tu é que tás a insistir.
- Não não estou.
- Claro que estás.
- Apenas gostava de sentir também.
- Mas não sentes?
- Nunca senti.
- Então.. como consegues viver?
- Quem te disse que estou vivo?
- Mas estamos a falar..
- Estamos?
- Pelo menos é o que parece.
- Exacto.
- Como assim?
- É o que parece, se parece pode não o ser.
- Então..
- Então estás a falar sozinho.
- Mas tu respondes-me.
- Se eu deixar de te responder ficas sozinho.
- Não faças isso.
- Porquê?
- Porque sinto.
- O que sentes?
- Nada por enquanto, mas sei que vou sentir.
- O que achas que vais sentir?
- A tua falta..
- Porquê?
- Porque sem ti fico sozinho.
- Então vamos.
- Onde?
- Sentir.
- Mas eu não sei se quero.
- Porquê?
- Tenho medo.
- Medo de quê?
- Do que possa vir a sentir.
- Mas assim.. espera, tu confudes-me.
- Confudo-te?
- Bastante, queres sentir mas tens medo do que possas vir a sentir?
- Sim.
- Então.. porque choras quando não sentes?
- Como sabes que eu choro quando não sinto?
- Vejo-te, responde.
- Choro quando não sinto porque tenho medo de ter sentido pela última vez.

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