terça-feira

Só Amor, só.

Minha pequena, minha querida. Corro em pânico aos gritos, quem olha para mim diz que o mais certo é estar maluco mas eu não ligo e lá vou eu a gritar: "ONDE ANDAS? ONDE ANDAS?"*.
Sinto-me perdido, tenho passado estes últimos tempo a pensar numa conversa que tivemos que me fez mudar completamente a percepção que eu tinha sobre ti e sobre nós, que horror já não saber o que pensar ou dizer sobre ti e sobre nós. O mais certo é não saberes do que falo, o mais certo é nem sequer te teres apercebido do que se passou, o mais certo é não se ter passado nada mas o que tu disseste, a forma como reagiste, as acções que assumiste e acabaste por tomar fizeram-me aperceber que estou, estive e possivelmente ainda estarei enganado sobre ti.
Minha pequena e mais que querida, minha linda e amorosa princesa eu amo-te, amo-te bastante, amo-te demasiado e no entanto questiono se o que realmente sinto é amor ou apenas uma doce ilusão. Deixa-me por favor, deixa-me amar-te, deixa-me fazer com que te sintas rainha num mundo criado por nós e para nós, eu quero amar-te como nunca quis nada na vida, nunca te quis tanto como te quero agora por favor imploro-te de joelhos, ajoelho-me perante ti, puxo-te pela mão para me dares um pouco de atenção e quando finalmente a obtenho olhas-me nos olhos e eu pergunto-te: "Será isto amor, diz-me se será isto amor?".
Tu não respondes e foges assustada com ar de quem sabe mais do que deve, e não sentes dó em deixar-me abandonado e ajoelhado no meio de uma praça cheia de dedos apontados a mim, permaneço ajoelhado enquanto te vejo cada vez mais longe à espera que olhes para trás, à espera que num breve momento de consciência te apercebas que me deixaste perdido outra vez mas tu simplesmente não paras, e mais uma vez acabo por te perder por te querer amar.
Já não consigo mais, perdi as forças, estou farto de tentar, começo a pensar que já não vale a pena querer estar contigo, querer como eu te quero ninguém te quer e tu, sabendo que eu sei que tu sabes magoas-me quase de propósito, parece que de certo modo me queres esgotar para depois me puderes curar e puderes dizer que foste tu quem me salvou, mas eu vou dizer a toda a gente que foste tu quem me magoou.
Basta de ti por favor. Já não te quero mais pois magoas-me mas sinto que preciso de ti, não te vejo como um vicio vejo-te como uma necessidade, vejo-te como alguém que me faz sorrir, amar, brincar, cantar, brindar, vejo-te como não vejo mais ninguém mas tu apenas me vês como um zé ninguém. És-me demasiado para me saberes a tão pouco, tenho tanta pena de nunca te ter tido por um milésimo que fosse, nada mais peço. Já não acredito que um dia te possa ter, já não sei o que fazer nem o que dizer, já não sei quem hei de ser para te ter, complicas-me, baralhas-me, confundes-me, e eu mascaro-me, adapto-me, digo, faço, e nada e no entanto outros chegam e com um estalar de dedos lá vais tu de queixo caído.
Depois de tanto procurar, depois de tanto gritar, depois de tanto correr finalmente encontrei o porquê de já não saber quem és e quem somos, e nunca pensei que pudesse ser tão simples : não sei porque apenas és e nunca o fomos, não sei porque nunca o havemos de ser.
Queria-te ofender, queria tanto ofender-te, chamar-te nomes e insultar-te mas já nem isso consigo e tenho pena porque merecias mais do que um já gasto puta.

1 comentário:

Joana Canas disse...

os meus textos parecem cagalhões ao pé dos teus. isso deprime-me bastante