quinta-feira

Os dias não interessam

Acabou-se o tempo em que os dias tinham algum significado, o tempo tornou-se relativamente fácil de passar conforme a escuridão entrava para espreitar. As coisas que eu pensava que tinha a certeza que nunca iam mudar acabaram eventualmente por mudar, óbvio, não pensei duas vezes, limitei-me a ficar parado, agarrado, a um bocadinho de tempo que eu queria que nunca passasse.
Tenho que começar a pensar, não para saber que existo mas para ter a certeza que te foste, não me quero crer que já cá não estás, tenho medo sequer de que um dia me digas: "Pedro, fui-me".
Não! Por favor não te vás, porque te foste? Nunca devias ter ido, mas foste. Deixaste-me aqui sozinho abandonado desencontrado desenquadrado, enfiado numa jarra de barro. Claro que estou a chorar, abandonaste-me! Ainda hoje penso que nunca devia ter deixado cair nem uma lágrima que fosse quando te foste, porque hoje não consigo chorar, naquele dia toda santa lágrima saiu de mim, naquele dia a minha alma perdeu a sombra, naquele dia o sol deixou de nascer para mim.
Hoje estou a sorrir porque hoje esqueci-te, já basta, já chega, porquê? Tudo o que eu queria era um bocadinho de ti, tu és tanto, tu és demais, só pedia um bocadinho de ti e nunca nada mais do que isso, mas não, nunca me questionaste, nunca me perguntaste o porquê de eu tanto querer um pouco de ti, terias vergonha, tu? Sempre que acordava pensava em ti, sempre que pensava ter uma resposta sobre ti lá vinhas tu e mudavas-me todas as perguntas, sempre que, sempre nada porque já não te quero, porque já não te amo, já não.
Durante largos anos menti a mim mesmo, sempre que te via com outro e tu modificavas as tuas atitudes perante mim eu pensava "não deve ser por isso", só mais tarde é que me apercebi que quando tu estavas feliz eu era obrigado a fingir que não te amava. Usaste-me nos teus momentos menos fortuitos, vias em mim uma escapatória, uma calha na qual podias usar escoar as tuas lágrimas cheias de remorsos e palavras não-ditas. Se estavas bem, feliz, contente, eu era posto em segundo plano, pelo contrário, se estivesses triste, afogada no teu ranho de princesa requintada eu tornava-me na melhor coisa que te tinha acontecido.
Os dias que perdi contigo, os dias que literalmente perdi contigo, e volto a frisar, os dias que perdi contigo hoje não interessam, porque hoje és passado, porque hoje morri um bocadinho, porque hoje apercebi-me que queria fazer parte do teu futuro mas vejo que acabei de te perder no presente. Usaste-me quando precisaste de companhia mas pior do que isso descartaste-me sempre que já tinhas alguém.
Acredito que tu não me vejas apenas como uma calha, acredito que me ames (na função de amigo) como já me o disseste, mas desculpa pois isso não chega. Nunca exigi nada de ti, nunca te pedi nada em troca, não quero nem posso pensar que me tenhas que amar apenas porque eu te amo, mas vejo-me no direito de te pedir um pedido de desculpas, não pelo facto de não sentirmos a mesma coisa mas pelo facto de não sentires a mesma coisa e às vezes agires como tal, foste bastante descuidada com a nossa amizade porque tu sabias, tu sabias o que eu sentia por ti, mas fingias não ver porque sabias que o que eu mais queria era estar ao pé de ti.

1 comentário:

Joana Canas disse...

desculpa, eu amo-te LOL