terça-feira

Not crazy yet

Não faças por te fazeres ver, ao fim ao cabo não és ninguém zé. Fazes parte do povo, do povinho ignorante que se finge preocupar com o meio ambiente mas que nunca se reprime em mandar mais uma bufinha. És estúpido, admite, caso não consigas ser mais do que isso tudo bem, é o que há e já está, agora não te ponhas com falsas modéstias nem me venhas com essa hipocrisia já marcante das pessoas da tua geração.
Diz-me meu amigo, caro jovem da minha geração, até então apelidada com "nicknames" já famosos como "Geração Rasca" ou "Geração dos 500 euros", diz-me, diz-me porque insistes em ser ignorante, bronco e estúpido? Custa-te assim tanto aprender? Tens falta de vontade para aprender porque andas a trabalhar e a ser explorado pelo teu patrão? Foda-se aposto que davas o cú e sete tostões para seres tu o patrão explorador. Então porquê as lágrimas de crocodilo palhaço social? Revolta-te se te sentes capaz mas não amues, amuar não paga dividas nem faz com que o teu patrão explorador tenha pena de ti.
Se não tens jeito para estrela de rock'n'roll singe-te às tuas capacidades profissionais: compra uma ford transit e mete-te a vender cortinados nos mercados. Ou então vai a um casting para os morangos, com sorte és selecionado e em menos de nada TUFAS, és uma super-estrela nacional a ganhar um ordenado minimo nacional, bestial não é?
Quando chega aquela idade em que a consciência se abate sobre tudo o que não fizemos quando eramos mais novos e que gostávamos de ter feito sentimos um arrependimento francamente vasto de, bem lá está, arrependimento. Queriamos ter feito, desejávamos ter feito, houve alturas em que ansiávamos por fazer e de seguida não fizemos, é pena mas agora já está. O relógio pára quando acaba a pilha mas o tempo não pára nunca por isso há que aproveitar quando o relógio fica sem pilha para podermos dizer: "Por uns segundos, não dei pelo tempo passar."
Odeio, não gosto, não suporto gente quadrada, que se acha, que se pensa mais ou melhor pura e simplesmente porque durante ou a meio de uma conversa cita algo que acabou de ler da national geographic. Não suporto também aqueles que se acham inteligentes porque dizem coisas profundas, com sentido, quando na verdade passam o dia inteiro em sites de citações ou no google a roubar ideias dos outros. Já repararam que desde que houve o "boom" da internet toda a gente tem da mania que é génio, que é filósofo, que é um escritor poeta, o próximo Pessoa?
Não gosto de pessoas. São falsas, ridículas, estranhas, imorais, incapazes de perceber o que significa senso comum, interesseiras, gananciosas, estúpidas, ignorantes. Somos não é?

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