segunda-feira

Há frases e frases

"Não estamos a falar de idosos, dos típicos desempregados, mas de pessoas com menos de 40 ou 45 anos que se calhar não deixam de pagar a netcabo nem desmarcam as férias na agência de viagens mas passam fome".

Manuel de Lemos (presidente da União das Misericórdias) - Fonte: Diário de Noticias Online - 20-07-2008

quinta-feira

15 minutos de ti

Acendi o incenso e fechei a janela do quarto, quero um ambiente bem cheiroso, calmo, tranquilo, formidável. Enrolei um cigarro muito calmamente, vesti uma roupa mais larga sentei-me frente ao computador abri a pasta dos FF e escolhi a "Learn To Fly", tu um dia prometeste que me ias ensinar a voar e juro que te vou fazer cumprir essa promessa.
Adicionei a "There Goes My Hero" e a "Times Like These", levantei-me da cadeira e comecei a dançar. Durante quase 15 minutos dancei contigo sem estares ao pé de mim, fumei apenas porque não estavas ao pé de mim até porque te prometi que não fumo ao pé de ti, durante 15 minutos fechei-me no meu quarto, durante 15 minutos fechei-me num mundo só meu, só nosso, onde só estavamos nós os dois, durante 15 minutos foste minha, durante 15 minutos fomos os dois apenas um sem estarmos juntos, durante 15 minutos disse-te tudo, fiz-te tudo, mimei-te com todas as minhas armas, toquei-te em todos os sentidos, durante 15 minutos amei-te, durante 15 minutos vivi só para ti.
São momentos como estes que nos ensinam a aprender, são momentos como este que nos dão vontade de amar e de chorar, de correr e gritar, são momentos como este que dão vontade de fugir sem saber bem para onde apenas com a sensação de querer descobrir algo novo, algo simplesmente algo. São momentos como este que eu sinto sempre que sorris, sempre que me olhas, sempre que te vejo, são momentos como este que tu me fazes sentir sempre que estou a teu lado.
Durante 15 minutos fui divino, durante 15 minutos voei e apreciei, durante 15 minutos fui algo e fui alguém, fui qualquer coisa sei que fui qualquer coisa, durante 15 minutos senti o que sinto contigo em apenas dois segundos, durante 15 minutos senti que me amaste.

Os dias não interessam

Acabou-se o tempo em que os dias tinham algum significado, o tempo tornou-se relativamente fácil de passar conforme a escuridão entrava para espreitar. As coisas que eu pensava que tinha a certeza que nunca iam mudar acabaram eventualmente por mudar, óbvio, não pensei duas vezes, limitei-me a ficar parado, agarrado, a um bocadinho de tempo que eu queria que nunca passasse.
Tenho que começar a pensar, não para saber que existo mas para ter a certeza que te foste, não me quero crer que já cá não estás, tenho medo sequer de que um dia me digas: "Pedro, fui-me".
Não! Por favor não te vás, porque te foste? Nunca devias ter ido, mas foste. Deixaste-me aqui sozinho abandonado desencontrado desenquadrado, enfiado numa jarra de barro. Claro que estou a chorar, abandonaste-me! Ainda hoje penso que nunca devia ter deixado cair nem uma lágrima que fosse quando te foste, porque hoje não consigo chorar, naquele dia toda santa lágrima saiu de mim, naquele dia a minha alma perdeu a sombra, naquele dia o sol deixou de nascer para mim.
Hoje estou a sorrir porque hoje esqueci-te, já basta, já chega, porquê? Tudo o que eu queria era um bocadinho de ti, tu és tanto, tu és demais, só pedia um bocadinho de ti e nunca nada mais do que isso, mas não, nunca me questionaste, nunca me perguntaste o porquê de eu tanto querer um pouco de ti, terias vergonha, tu? Sempre que acordava pensava em ti, sempre que pensava ter uma resposta sobre ti lá vinhas tu e mudavas-me todas as perguntas, sempre que, sempre nada porque já não te quero, porque já não te amo, já não.
Durante largos anos menti a mim mesmo, sempre que te via com outro e tu modificavas as tuas atitudes perante mim eu pensava "não deve ser por isso", só mais tarde é que me apercebi que quando tu estavas feliz eu era obrigado a fingir que não te amava. Usaste-me nos teus momentos menos fortuitos, vias em mim uma escapatória, uma calha na qual podias usar escoar as tuas lágrimas cheias de remorsos e palavras não-ditas. Se estavas bem, feliz, contente, eu era posto em segundo plano, pelo contrário, se estivesses triste, afogada no teu ranho de princesa requintada eu tornava-me na melhor coisa que te tinha acontecido.
Os dias que perdi contigo, os dias que literalmente perdi contigo, e volto a frisar, os dias que perdi contigo hoje não interessam, porque hoje és passado, porque hoje morri um bocadinho, porque hoje apercebi-me que queria fazer parte do teu futuro mas vejo que acabei de te perder no presente. Usaste-me quando precisaste de companhia mas pior do que isso descartaste-me sempre que já tinhas alguém.
Acredito que tu não me vejas apenas como uma calha, acredito que me ames (na função de amigo) como já me o disseste, mas desculpa pois isso não chega. Nunca exigi nada de ti, nunca te pedi nada em troca, não quero nem posso pensar que me tenhas que amar apenas porque eu te amo, mas vejo-me no direito de te pedir um pedido de desculpas, não pelo facto de não sentirmos a mesma coisa mas pelo facto de não sentires a mesma coisa e às vezes agires como tal, foste bastante descuidada com a nossa amizade porque tu sabias, tu sabias o que eu sentia por ti, mas fingias não ver porque sabias que o que eu mais queria era estar ao pé de ti.

terça-feira

Vais ser nada

Desisto, não a sério desta vez é a sério. Desisto de tentar ser alguém que não sou para vos tentar agradar. Dito isto já nada digo. Mas porquê? Porquê tantas discrepâncias, já não chega? Não me perguntes nem me ponhas em causa, não tens cara para levar uma chapada e nem deves saber arrumar o teu quarto, e queres-me questionar, a mim? Que ousadia a tua seu reles, sua reles, tu reles, não te rales por tanto quando na verdade és tão pouco bicho insaciável pela fome dos outros, pela vergonha dos outros, pela loucura e desgraça dos outros.
Mas espera, juro-te, acredita em mim pois eu não minto apenas omito, espera e pára. Escuta, sentes? O Lume? O Lume brando que veio para te queimar traidor, vil, odioso ser pasmado e incrédulo cheio de paninhos quentes postos em cima por quem te quer mas de ti foge, porque tem medo, nojo, pavor, oh quantos já fugiram de ti sem necessidade ou nexo, pura e simplesmente por falares demasiado, às vezes pouco muitas vezes muito.
Diz-se que somos todos filhos de Deus, mas tu, tu não és nada. Não és homem nem pastor, não és amor nem pintor, és apenas um bocado de carne que por aqui vagueia e espalha horror, espalha tédio, pânico, lágrimas e pavor. Não és mais alto, não és dois, és tu, um ser insignificante cheio de questões, julgas ter todas as respostas, mas porquê? Porque é que julgas ser mais do que os demais? És igual, és igual. Relaxa besta, não acordes todos os dias a pensar que o mundo inteiro é uma bola de neve enorme que conspira contra ti, abre os olhos o mundo nem sabe que tu existes, este mundo apenas permite que tu respires porque o ar é de todos não é teu, nada é teu como tu julgas.
Tu não vais ser nada porque não sabes ser alguém, és triste, revoltado, cheio de raiva sem sentido, raivoso inconsciente, parvo, se ninguém se sente bem ao pé de ti a culpa não é dos outros não gostarem de ti, a culpa é tua de só teres olhos para ti. Fazes tudo em teu proveito sem olhares a jeitos, ameaças a quem te ama só apenas porque achas que tens esse direito. Que argumentas tu? Já não chega? Chega, CALA-TE! Farto, farto de ti não te suporto, és feio, és uma pessoa feia, engraçada por fora completamente oca por dentro, és uma versão concentrada de tudo o que há de mau num corpo quase perfeito. No fim ficas sozinho, afinal já não és ninguém, acusas, apontas o dedo a quem presumes que te fez mal, mas se alguém te fez alguma coisa foi porque tu já fizeste pior, bem pior.

Not crazy yet

Não faças por te fazeres ver, ao fim ao cabo não és ninguém zé. Fazes parte do povo, do povinho ignorante que se finge preocupar com o meio ambiente mas que nunca se reprime em mandar mais uma bufinha. És estúpido, admite, caso não consigas ser mais do que isso tudo bem, é o que há e já está, agora não te ponhas com falsas modéstias nem me venhas com essa hipocrisia já marcante das pessoas da tua geração.
Diz-me meu amigo, caro jovem da minha geração, até então apelidada com "nicknames" já famosos como "Geração Rasca" ou "Geração dos 500 euros", diz-me, diz-me porque insistes em ser ignorante, bronco e estúpido? Custa-te assim tanto aprender? Tens falta de vontade para aprender porque andas a trabalhar e a ser explorado pelo teu patrão? Foda-se aposto que davas o cú e sete tostões para seres tu o patrão explorador. Então porquê as lágrimas de crocodilo palhaço social? Revolta-te se te sentes capaz mas não amues, amuar não paga dividas nem faz com que o teu patrão explorador tenha pena de ti.
Se não tens jeito para estrela de rock'n'roll singe-te às tuas capacidades profissionais: compra uma ford transit e mete-te a vender cortinados nos mercados. Ou então vai a um casting para os morangos, com sorte és selecionado e em menos de nada TUFAS, és uma super-estrela nacional a ganhar um ordenado minimo nacional, bestial não é?
Quando chega aquela idade em que a consciência se abate sobre tudo o que não fizemos quando eramos mais novos e que gostávamos de ter feito sentimos um arrependimento francamente vasto de, bem lá está, arrependimento. Queriamos ter feito, desejávamos ter feito, houve alturas em que ansiávamos por fazer e de seguida não fizemos, é pena mas agora já está. O relógio pára quando acaba a pilha mas o tempo não pára nunca por isso há que aproveitar quando o relógio fica sem pilha para podermos dizer: "Por uns segundos, não dei pelo tempo passar."
Odeio, não gosto, não suporto gente quadrada, que se acha, que se pensa mais ou melhor pura e simplesmente porque durante ou a meio de uma conversa cita algo que acabou de ler da national geographic. Não suporto também aqueles que se acham inteligentes porque dizem coisas profundas, com sentido, quando na verdade passam o dia inteiro em sites de citações ou no google a roubar ideias dos outros. Já repararam que desde que houve o "boom" da internet toda a gente tem da mania que é génio, que é filósofo, que é um escritor poeta, o próximo Pessoa?
Não gosto de pessoas. São falsas, ridículas, estranhas, imorais, incapazes de perceber o que significa senso comum, interesseiras, gananciosas, estúpidas, ignorantes. Somos não é?

segunda-feira

Da Weasel - Agora e Para Sempre

1ªparte
Como no som do Jay "I Still Can Smell You In My Clothes",
A melodia do teu riso – digna de um Fender Rhodes
Mergulhei nos teus cabelos de ouro, grandes, ondulados
nadei no teu sexo até ficarmos esgotados
O suor passeava do teu corpo para o meu do meu corpo para o teu
já não sabia se era eu
quem gemia, estremecia, a carne não adormecia
e de repente, a noite ficou dia
Lá fora o barulho já acordou a cidade
e a fantasia deu enfim lugar à realidade
Carrega stop, faz rewind, por favor, volta para trás
não quero sair daqui, nunca mais, não sou capaz
Quero

Refrão:
Ficar contigo, agora e para sempre
Nadar no teu corpo eternamente
Teus sonhos os meus serão
Meus sonhos os teus serão

Quero

Ficar contigo, agore e para sempre
Nadar no teu corpo enternamente
Teus sonhos os meus serão
Meus sonhos os teus serão

2ª parte
Sinto-me de novo um teenager inconsciente,
adolescente irreverente com vontade de ser diferente
Passava tardes no meu quarto fechado à chave
tentava descobrir a vida – a minha cama era a nave
com o (meu) primeiro amor fazia planos a dois
trocava juras e carinhos e não pensava e se depois não der certo?
‘tava carregado de certezas
a nossa paixão deixava as almas acesas
Não havia ciúme, nem sequer desconfiança,
apenas inocência e muita esperança
O mundo inteiro brilhava e sorria para nós
Lembro-me perfeitamente de ouvir a tua voz:
Quero

Refrão:
Ficar contigo, agora e para sempre
Nadar no teu corpo – eternamente
Teus sonhos os meus serão
Meus sonhos os teus serão

domingo

Aconteceu

Sempre assim assim, toque suave, beldade negra com cheiro a mar. Como numa folha em branco desenho a tua figura, apaixono-me literalmente, deixo-me envolver pelo sabor húmido que sobe por mim, desdenho-te e quero-te comprar, trincar um pouco de ti, querer um pouco de ti, dizem-me que peco eu digo que vivo.
Entro na sala e vejo-te nesse sofá vermelho, a sala costumava ter uma essência amarga mas hoje é doce, cheira a mel, lembo os dedos e refastelo-me em sonhos quentes, sinto-te na carne e mordo, como um bocado de mim e saboreio um pouco de ti. Estridente mistura de sabores, picante suave, cores a girar, estava sozinho no frio, na escuridão de uma noite gelada pelo sentimento de abandono, chorei e o quarto encheu-se de água. Nadei entre um sem fim de ondas criadas por mim enquanto pensava em ti, nadei, esbracejei, afoguei-me e morri.
Acordei sentado numa cadeira velha de madeira quase podre e vi-te ali outra vez naquela mesma sala, mas que desta vez cheirava a diamantes rachados por almas afogadas em dor e pecado. Quis-te tocar mas fui interrompido pelas palavras doces que se faziam ouvir do tecto, diziam-me que era errado, mas eu disse-lhes que queria viver.
Toquei-te, finalmente toquei-te. Oh que coisa, oh que humildade, oh que paixão, oh estou apaixonado. Olhas-me com ternura mas com um misto de vaidade, queres-me amar, mas tens um pouco medo da incerteza. Serei eu? Serei eu aquele que tu queres, ou apenas mais uma ilusão, uma triste ou doce ilusão?
Agora já nada importa, beijei-te. Oh finalmente, finalmente beijei-te. Como uma explosão de emoção, alegria ou paixão - quem sabe? os Deuses estão a dormir - gritámos: Aconteceu. Ficámos apaixonados.

sábado

Senhor do Vento

É deixar-te voar sem te tentar apanhar, mas no final quero-te simplesmente porque não te posso apanhar, simplesmente sei que não te posso ter.
Sou maníaco, pois sou, entro por becos escuros e grito, saio a correr e não paro, começo a voar mas não sei onde quero ir sei apenas que não quero ficar. Transformo-me porque quero não apenas porque devo, sou agora um bicho pequeno com várias patas, feito, imaginado e pensado apenas para te olhar, para te ver, para te viver para beber um pouco de ti. Saboreio-te, hmm. És amarga, diz-me onde escondes o teu sabor doce, sei que o tens, por favor não fujas não me deixes morrer com a boca azeda, da-me um pouco do teu amor, ama-me um pouco, o suficiente para respirar um pouco do teu calor.
Jogo contigo, procuro-te neste labirinto sem chave, o vento empurra-me para longe de ti, tenta separar-nos, mas eu já disse ao vento que de ti apenas quero uma recordação mas ele teima, teima em batalhar comigo, por uma razão fútil e banal persiste na sua teoria catastrófica de que te quero só para mim, pois ele sabe que se te tiver, nunca mais poderá levar a tua doce fragrância por esses céus com o seu sopro forte e impetuoso.
Assumo que te amo sem nunca te dizer porquê, sopro ao vento os meus segredos, leve, levemente ele chega-se ao pé de ti e dá-te o meu recado. Tu, sem saber de onde vêm as palavras ouves o vento a chegar e apercebes-te que foi ele que te trouxe até ti o meu recado, consideras que já fizemos as pazes mas não percebes porquê, não sabes porque é que o vento já não implica comigo, não sabes nem fazes ideia porque é que o vento já não se importa que eu te ame.
O recado é a explicação: a traição do destino disse-me que só te podia amar se domasse o vento, se o tornasse meu, agora sou dono do vento, agora sou dono e senhor dos céus, controlo os ares e o destino das aves, agora sou aquele que te cria, aquele que te dá, aquele que te ama, aquele que te magoa. Agora sou o teu senhor, o teu dono, o teu marido, teu pai e teu filho, agora com o vento sobre a minha alçada não te posso ter.
Tanto lutei para o domar, tanto trabalhei para poder levantar a mão e sentir o vento sobre o meu controlo, mas agora é tarde. Tornei-me ambicioso, podia ter ficado apenas contigo, eu e tu, tu e eu na nossa velha casa de campo com paredes de pedra e portas de dominó, mas não. Pequei, e por isso sou dono do vento. Quis tudo ter e nada tenho, agora que te quero é tarde. Nada mais posso fazer do que entrar todos os dias pela janela do teu quarto e acariciar-te, nada mais posso fazer do que acompanhar-te todos os dias nos teus passeios. Se algum dia achares estranho sentires um beijo ventoso, não estranhes, sou eu.