domingo

Osh..

Há (de haver) dias assim, e eu hoje estou num deles. Acordei com vontade de ir dormir para o dia passar depressa, soube logo assim que despertei que o dia de hoje ia ser um dia daqueles, e foi.

E cá estou eu hoje, num daqueles dias. Ora o que é certo, e talvez engraçado no meio desta história toda (que não é nenhuma), seja o simples facto de me ter apercebido que o dia hoje não ia ser bom, não! Soube logo que ia ser medíocre, fraquinho, assim-assim, já-tive-melhores. Eu sempre fui daquelas pessoas que adoram dormir, venero o sono, venero a minha cama, venero lençois de flanela no inverno, mas também sempre fui daquelas pessoas que consideram que dormir é uma perda de tempo nalgumas ocasiões.
Por exemplo, irmos passar férias e dormirmos metade dos dias, é estúpido, é claro que ninguém o faz, mas se o fizesse, seria uma pessoa estúpida, estúpido.

De há uns dias para cá, estava eu a ouvir a minha música e uma espanholita pediu-me se podia ouvir o que eu estava a ouvir. Ela pega no fone esquerdo, e começa a ouvir Nirvana.
Passado uns bons 10 segundos vira-se e diz-me (em castelhano): Desculpa mas não gosto, não percebo Português.
Isto revoltou-me de certa maneira. Compreendo perfeitamente que não conheça a banda, mas não conseguir distinguir o Inglês do Português, é.. foda-se toca no limite da ignorância animal.

Vivi e cresci numa cidade pescatória, com um dos maiores portos de Portugal, grandes empresas industrais (caso da Secil e da Inapa), uma serra com uma fauna única no mundo, virada para o estuário do Sado e depois da peninsula da Tróia o Oceano Atlântico. Hoje estou enfiado numa terra mais pequena que Palmela, a 11 quilómetros está a capital mundal do azeite, a maior cidade mais perto fica a 80 quilómetros, e num raio de mais de 200 quilómetros quadrados não se vê nada para além de oliveiras. Para ajudar à festa, o Q.I. da população no geral num raio de 500 quilómetros quadrados não ultrapassa os 30 pontos.

Sinto necessidade de aprender coisas novas, ouvir novas músicas, conhecer novas maneiras, novos sabores, sinto necessidade de me expressar, sinto necessidade de chegar seja onde fôr desde que chegue lá sozinho. Sinto necessidade de gritar, de respirar fundo, de viver, acima de tudo de viver. Para mim viver é criar, criar é aprender, aprender é viver.
À medida que aprendemos vamos tomando conhecimento, e o conhecimento é tudo. A ti, podem-te tirar tudo, menos o conhecimento. E eu sinto que aqui não aprendi nem aprendo nada.

Custa-me passar por isto sem o vosso apoio, mas já aprendi a lidar com a situação. Não tive outro remédio, se tivesse a morrer de sede e precisasse de algum de vós para me dar um copo de água, o mais certo era ter que recorrer a um cacto. A verdade é que isto tudo custa, não é a primeira vez que o desabafo, mas que é chato é, dormir para passar a angústia de saber que já não sei quem sou.

Voltando ao porto de partida que nunca foi realmente um ponto mas sim uma letra (o H), eu adoro dormir, mas hoje em dia é completamente ridiculo que dormir se tenha tornado a melhor parte do meu dia.

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