domingo

Cherry Mary Mary

Cada vez mais as pessoas parecem preferir ouvir uma mentira em detrimento da verdade. São poucos aqueles que têm coragem para dizer o que realmente pensam, ao invés dos que nos preferem seduzir com pequenas mentiras cheias de verdade para não provocar uma reacção menos boa na pessoa em causa (nós e os outros, afinal somos todos).
Seria muito mais prático dizer que o penteado ficou horrível do que inventar adjectivos para o descrever de uma maneira simpática: Não não ficou óptimo, parece um penteado superpop e muito voxhair dos anos 60, fashion mesmo.
Não dizer o que se pensa num dito momento é o mesmo que beber café sem açúcar, faz bem mas sabe-nos mal.
Ultimamente tenho optado por dizer sempre o que penso e as respostas à minha postura têm sido meio estranhas. Sempre fui um amigo disposto a desculpar os erros dos outros, disposto a arranjar desculpas e inventar soluções para que os seus erros não parecessem tão graves, inúteis, fúteis, infantis e banais. O que é certo é que ninguém gosta de ouvir as verdades (nem eu), mas elas têm que ser ditas mais ainda, precisam de ser ditas porque seguramente ninguém gosta de hipocrisia, mas parece que já se acostumaram a viver num mundo em que a palavra de ordem é essa.
Não sou mais do que ninguém mas tenho direito a ter a minha opinião e se são vocês que me a pedem e mas não gostam da resposta, então porque é que a pedem?

Ok imaginem isto: a vossa professora manda-vos fazer um projecto sobre algo ou alguém que vos seja muito e estabelece uma data limite de 5 dias úteis (uma semana), isto na primeira segunda semana de escola.
Durante duas semanas a turma inteira ainda se está a conhecer, os grupos ainda não estão formados e o primeiro contacto com os colegas ainda só aconteceu pelo menos duas vezes no intervalo e um desses contactos foi apenas um olhar clássico do tipo: "Olá colega da minha turma que eu nem sei o nome mas sei que é da minha turma e por isso vejo-me quase que obrigado/a a sorrir sempre que estabelecemos contacto visual".
Passado os 5 dias úteis desde o prazo de entrega dado pela professora para entregar o tal trabalho entretanto já ganhaste alguma simpatia com uma colega e o pensamento de poderes vir a ter uma relação com a dita colega cresce sempre que o despertador toca de manhã.
A colega começa a sentir o mesmo e elabora o tal trabalho em que o tema és tu. E tu na tua, elaboras o tal trabalho e o tema é uma amiga tua, alguém que a ti te é muito, ou mesmo que não te seja muito, é alguém que te dá inspiração suficiente para teres vontade de elaborares um trabalho sobre ela.
A colega que começou a sentir alguma coisa por ti fica literalmente fodida e cheia de ciúmes, mas mostra-se forte e em 10 minutos transforma o trabalho e muda o tema para o ex namorado xunga com 8 colares fora da tshirt e 10 colares dentro da tshirt.
Tu, mais uma vez na tua, apresentas o teu trabalho sobre a tal tua amiga que apesar de não te ser assim tanto é-te o suficiente para que te dê inspiração para fazeres um trabalho sobre ela. Tu recebes um 15 pela elaboração do projecto, a dita colega recebe um 8.

Entretanto o que se passou? Passou-se em três semanas aquilo que se pode passar em dois anos ou mais (ou menos, dá igual), uma pessoa chegar a apaixonar-se por outra e por um pequeno erro, crasso, infantil, deita tudo a perder, pondo para trás dias e semanas de amor, romance, e um pouco de loucura.
A dita colega presumiu que tu estavas ou estiveste apaixonado, presumiu que tu gostas ou ainda gostaste da tal amiga e como não teve coragem de perguntar deitou a perder uma amizade porque presumiu antes de perguntar.
Se tivesse perguntado ia ouvir a verdade, assim, criou uma mentira que fosse de acordo com aquilo que ela queria e pensava que fosse a verdade para mais tarde poder argumentar que a razão está do lado dela.

Isto tudo por ciúmes e presunção.

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