quinta-feira

qualquer coisa sem qualquer tipo de nexo

Hoje vi um sorriso numa janela. Achei engraçado no meio de tanta chuva e céu acinzentado, no meio de um prédio ter conseguido ver alguém a sorrir sozinha. Não percebi do que sorria, nem porque é que sorria, limitei-me a observar ainda que por breves segundos porque o autocarro estava a andar. Mas foi uma daquelas coisas que raramente acontecem, em poucos segundos consegui captar toda uma imagem recheada de pormenores. Ela tinha o cabelo castanho liso e comprido, tinha os lábios ligeiramente pintados de rosa, olhos verdes, estava a usar uma camisola de mangas compridas com riscas brancas, e sorria. Sorria como se tivesse medo de não conseguir voltar a sorrir, sorria com paixão, sorria com emoção, sorria com vontade e com prazer. Os cortinados eram amarelos com bolinhas brancas, as janelas eram de madeira, no paira pente tinha dois vasos grandes, um com rosas brancas, o outro com rosas amarelas (talvez para condizer com os cortinados), e parecia que os únicos raios de sol que conseguiram encontrar caminho por entre o aglomerado de nuvens, estavam a bater sobre ela e a sua janela. Ela sorria porque estava sozinha.

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