segunda-feira

Os Xizes



Uma coisa que sempre adorei nos desenhos animados são os xizes. Os xizes podem demonstrar o nível de álcool de um garrafa. Se uma garrafa tiver só um X, é na bôínha, se tiver mais do que quatro xizes é morte certa. Os xizes também mostram o estado da pessoa ou do animal, ou do unicórnio laranja às bolas cor-de-rosa.
Se em vez de olhos tiver dois xizes tá morto ou cansado. O X pode indicar onde está o tesouro, o alvo a abater ou pura e simplesmente um typo. Eu sei que isto não faz qualquer tipo de sentido, a verdade é que nenhum dos meus últimos textos fazem qualquer tipo de sentido. Mas se pensarmos um bocadinho, o que é que faz sentido hoje em dia?

O Governo chinês recusa-se a dialogar com o Tibete, os Estados Unidos recusam-se a assumir que o petróleo iraquiano é iraquiano. O Continente Africano, após anos e anos e anos e anos e anos e anos e anos de campanhas contra a fome, contra a miséria, por parte do resto do mundo continua na merda.
Eu acho meio estranho muito sinceramente que após tantos anos a enviar-se dinheiro para África, não se tenha ainda visto qualquer tipo de resultados práticos. Em Portugal já não se vê pessoas pelas ruas vê-se medo. É meio estranho dizer-se que se vê medo, mas a verdade é que é só isso que se vê.

Em Portugal entram todos os dias mais de mil brasileiros ilegais (estou a ser simpático). Seja por terra, mar ou ar. Desses mil brasileiros ilegais, no mínimo.. 1000, quando receberem o ordenado (baixo e insustentável para qualquer português), digamos que seja de 400 euros, esses 400 euros não vão ficar por cá. Desses 400 euros, 200 vão directamente para o Brasil. 50 euros vão ser para ajudar a pagar a renda da casa de 3 assoalhadas dividida por 10 pessoas, 100 euros vão ser para comprar comida, e os restantes 50 vão para o tabaquinho, mas como o tabaco em Portugal já está tão caro, mais vale enviar 250 euros para o Brasil. Portanto de 400 euros, que saíram do bolso do patrão Português, mais de metade vai para o Brasil, ou seja, com cada brasileiro ilegal, Portugal tem um prejuízo de 250 euros.
Se formos novamente simpáticos, e dissermos que em Portugal só existem 10 mil brasileiros ilegais, Portugal perde por mês 2.500.000 euros (dois milhões e quinhentos mil euros), ora por ano Portugal perde 30.000.000 euros (trinta milhões de euros).
Quanto será que entra todos os anos no Brasil, se o dinheiro for proveniente do mundo inteiro e não apenas de Portugal?
Há quem diga "Ah e não sei quê, e os imigrantes ilegais que enviam dinheiro do Brasil para o resto do mundo?" Quem é que vai imigrar ilegalmente para o Brasil?

Eu não tenho nada contra brasileiros, tenho contra o estado Português que deixa que isto aconteça. E a verdade é que eu sou a favor daqueles têm a necessidade de sair do seu país na busca de uma vida melhor, e a verdade é que se Portugal hoje em dia está no poço em que está, o Brasil está muito pior que nós, à muito mais tempo.
E por muito que nos custe a admitir, a linha entra a pobreza e a riqueza em Portugal, está cada vez mais ténue. Quem a pisa atreve-se a cair, infelizmente o povo está com pés de barro e o governo com pés de lã.
Se contarmos com os russos, ucranianos, chineses, brasileiros, que estão actualmente ilegais em Portugal tenho quase a certeza que andamos a perder muito dinheiro.
Quer queira-se quer não, hoje o dinheiro é o pior flagelo da humanidade. Se se vende droga é porque dá dinheiro, se a prostituição existe é porque é uma forma rápida de ganhar dinheiro, se se rouba é por causa do dinheiro. O dinheiro corrói e destrói, o dinheiro corrompe, mas a verdade é que o dinheiro também ajuda (e muito) e já não podemos viver sem ele, temos apenas que aprender a não ficar demasiado dependentes dele, embora seja dificil basta não seguirmos uma vida materialista.
Se conseguirmos dominar o impulso consumista que todos os dias nos é imposto à força 24 horas por dia, seja no jornal na rádio ou na televisão, de certeza que ao fim do mês conseguimos respirar melhor.

"Sentarmo-nos e meditar durante horas, comer quando o nosso corpo nos pede e viver numa simples cabana, que luxo!"

- Urabe Kenko, Tsurezuregusa
(tirado do livro: A Arte da Simplicidade - de Dominique Loreau)


Actualmente as coisas só têm sentido pelo dinheiro. Tudo o que hoje nos torna a vida mais cómoda e facilitada foi pensado para dar lucro a quem ou aqueles que a inventaram. Hoje e cada vez mais, as empresas procuram pessoas com ideias novas.
Procuram soluções mais práticas que as da concorrência, mais atractivas e fáceis para gerar mais dinheiro, tanto que hoje em dia para se limpar o chão pede-se como requisito o 9º ano de escolaridade. O meu bisavô nem à escola foi e era engenheiro naval, e não me lembro de nenhum barco que se tenha afundado entre a Tróia e Setúbal.
Exige-se muito hoje em dia, compreendo que seja necessário, não queria que o meu bisavô me arrancasse um dente, mas custa-me a aceitar que ele hoje em dia nem para varrer o chão servisse.

Quero acreditar que já foi tudo diferente da realidade que agora estou a viver, mas a verdade é que este é o único mundo que conheço e este é o único mundo que me sinto à vontade para criticar.

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