domingo

É Voar

É voar por alí, por entre as muralhas de prata que sinto vontade de criar
É escrever palavras de cristal numa folha de seda que me sinto livre para amar
É crescer no campo azul a ouvir as vacas a cantar
É crescer no campo azul a ver as galinhas a voar
É viver na cidade do mar a saborear a ameijoa do ar
É a beber a lama do rio que sinto vontade de acreditar.

Só conseguimos ver o verdadeiro amarelo quando o fígado está a funcionar
Só conseguimos achar piada a um sofá, quando o ritmo cardíaco decresce e sentimos a pressão sanguínea a aumentar

É por alí, naquele beco escuro iluminado pela falta de fé e pouca esperança dos que vivem sem tecto que sinto vontade de me aventurar, partir na busca. Buscar harmonia, buscar crença, buscar paixão, buscar-te, a ti, mas quem?

Quem és tu que procuro que não me deixa seguir em frente? Quem és tu que procuro que não me deixa ver, que não me deixa crer, que não me deixa, que simplesmente não me deixa. Quero-te, desejo-te, anseio-te, mas não te encontro. Talvez me custe tanto em encontrar-te por não saber quem és, talvez por isso.

Mas guardarei sempre para mim a esperança de um dia, ao acaso num sitio normal, encontrar-te por entre um mar de árvores amarelas, molhadas pela chuva que caíu na noite passada por tanto eu ter chorado, guardarei sempre para mim a esperança de um dia nunca mais olhar para trás. Nesse dia seguirei em frente, nesse dia sei que te encontrei.

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