sexta-feira

C'mon son, how can you be so stupid?

Mais uma vez, uma página em branco.

É triste para mim, tentar aceitar que sempre que preciso falar com um amigo, vejo-me quase que obrigado a recorrer a uma folha em branco, e às minhas palavras apenas, quando procuro palavras de conforto para além das minhas.
Quando mais preciso de vocês, vejo-vos tão longe. Chateia-me (imenso) a minha situação, sinto-me cada vez mais distante de vocês, sinto que a cada dia torno-me menos importante, mais "dispensável" .
É normal e estranho seria se não o fosse. No meio de tanta preocupação e confusão, consigo aceitar que assim o seja, porque a partir do momento em que vi o sinal de trânsito com uma linha negra por cima de Portugal tornou-se claro que assim o seria.

Hoje apercebi-me que tudo aquilo que desejei que nunca acontecesse, está a acontecer. Desde o primeiro dia que cá cheguei, que temia por isto. Temia não pelas amizades, mas pelo sentimento de revolta que estou a sentir. Não é assim tão difícil de descrever o sentimento, mas sim é difícil descrever o sentimento que estou a sentir por não querer senti-lo.
Olho para as minhas mãos e vejo-vos a escapar, vocês meus amigos, vocês meus abraços, vocês meus beijos, vocês meus minutos passados com aqueles que a mim me são muito, vocês que a mim me deram mais do que aquilo que alguma vez pensei vir a ter, porque apesar de nunca vos ter dito, pondo o feitio de merda à parte, pondo as minhas nóias pessoais à parte, as minhas asneiras, os meus erros, os meus ditos e dizeres, as minhas palavras menos apropriadas, os meus actos menos próprios, amo-vos. Todos a todos, e a ninguém indiferente. Jóia guardo no meu nome até à cova, e a vós, guardo-vos no coração.

De irei a cheguei não passou muito tempo. Embora já cá esteja à quase dois anos, o primeiro ano passei quase que a sonhar com a chegada do verão. Chegado o verão era altura de "imigrar" por poucos dias para o meu país de origem. Dias esses que se tornaram em semanas, que depressa se tornaram em meses. Dois meses. Em dois meses vivi, vivi com aqueles que gosto, com aqueles que parecem fazer o tempo parar. Achei estranho que em certas ocasiões combinar um café ou algo semelhante que pudesse resultar em socialização, pairasse no ar uma certa sensação de desconforto. Não dei a mínima importância ao caso (pensava eu) , queria apenas aproveitar ao máximo sabendo que mais cedo ou mais tarde, iria voltar para longe de vocês.

O verão passou, restava-me então sonhar com a chegada do inverno e da quadra natalícia para poder voltar a Portugal. E assim voltei. QUE SAUDADES! Saudades dos cheiros, dos sabores, de tudo o que ficou e de tudo o que deixei, mais explicito não ser. Foi estranho sentir mais do que ver, que num ano e pouco, tanto mudou. Mantiveram-se os cheiros e os sabores, mas os sentimentos simplesmente já lá não estavam, pelo menos alguns.

Admito que das poucas vezes que fui a Portugal forcei algumas coisas, tentei com que outras funcionassem e tentei corrigir outras, mas ao que parece só fiz merda, porque hoje em dia, já nada é como costumava ser, e aí pergunto-me: será que alguma vez o foi? É legítimo perguntar.

Portanto, o que eu tenho vindo a querer perguntar é: Qual é o problema? Qual é o meu problema que parece que tenho tendência a afastar e magoar aqueles que a mim me são mais próximos? É a maneira como digo as coisas? É a maneira como reajo quando me dizem as coisas? Será que é pelo facto de falar de muito de mim? Falo muito sobre mim? Falo pouco sobre vocês? Sou mau ouvinte? Sou bom ouvinte?


Desde que cheguei a Espanha não fiz mais nada do que pensar em situações que deixei em Portugal, situações que me ocupam a cabeça o dia inteiro, as semanas inteiras, os meses inteiros, situações às quais, se eu fosse uma pessoa normal talvez não desse tanta importância, situações que não me têm deixado viver como eu quero, e como eu acho que devia viver, devia estar a viver sem pensar tanto em vocês mas não consigo, simplesmente não consigo.


Assusta-me imenso não saber o que cada um de vós pensa de mim, e embora isto possa parecer um pouco egocêntrico e toque na linha do narcisismo, a única razão pela qual eu quero saber se existe algo que me queiram dizer, algo que ficou por dizer, seja o que for por mais pequeno e insignificante que possa parecer, digam-me, para que eu possa mudar, para que eu possa tornar-me numa pessoa melhor, porque já é difícil eu estar aqui sem vocês, e o simples pensamento de que algum dia vos possa vir a perder por algo que disse ou fiz, seria a pior coisa que me podia acontecer.

Mas depois pergunto-me: será que vale a pena lutar por todos vocês, quando nenhum de vocês luta por mim?

Deus que é Deus não agradou a todos, então porque raio é que eu tenho que tentar agradar a todos vocês?
Só peço que nunca me dêem razão, porque se algum dia o fizerem, significa que estão a passar pelo que eu estou a passar neste momento (e não o desejo a nenhum de vocês). E talvez nessa altura, compreendam na totalidade aquilo que eu escrevi.
Nunca vos agradeci o tempo que despenderam por ou/e para estarem comigo, mas muito sinceramente, também nunca me tinha apercebido que isso vos incomodava de uma maneira ou de outra.
Nunca obriguei ninguém a passar tempo comigo, se se sentiram por algum momento numa situação de obrigação, não vos peço desculpa, muito pelo contrário, apenas tenho que realçar a vossa parvoíce por nunca me terem dito nada.


Acham que não custa que desde que cá estou, que nunca ninguém me tenha enviado um email não contando com aqueles cujo titulo da mensagem é "A MENINA DA TELCEL (POIS, É INTERESSANTE)" ?
Acham que não custa ligar o MSN (por mais ridículo que isto possa parecer) e entre as 60 pessoas que estão online ninguém me dizer nada?





Foda-se a mim, custa-me.





Estava a achar bastante difícil manter tudo isto cá dentro por muito mais tempo.
Não estou a escrever isto para me armar em vítima, não me quero auto-martirizar com as minhas próprias dúvidas perante os meus amigos, apenas desabafei.

1 comentário:

Anonymous disse...

Jean paul satre
"Nem sempre sou da minha opinião"
... sempre fui assim?
Não!
Mas agora tambem não quero ser da opinião dos outros, quero ser diferente.
Sim!
Ser diferente é ser eu mesmo, nunca pedir a ninguem que goste de mim para me agradar, prefiro agradar a mim mesmo, depois se alguem se agradar até pode ser agradavel.
Hoje consigo compreender que "Nossos pensamentos mais importantes são os que contradizem nossos sentimentos" ontem não compreendia, enfim, temos pouco tempo para compreender, treinamo-nos na vida tentando compreender o incompreensivel, para quê ?? Porquê ?? "Há momentos infelizes em que a solidão e o silêncio se tornam meios de liberdade" Amo a LIBERDADE!
Sim!
"O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância. Acontece o mesmo com o número dos amigos" Sendo assim . . . o importante é possuir ambos.

Adriano Botas