quarta-feira

Onde?

Será que todos na esplanada estavam cegos?

Virei-me para avisar alguém, e quando me voltei para trás já com a atenção de um grupo de gente, a montanha tinha desaparecido e a vergonha apareceu.
Comecei a pensar no que tinha comido, no que tinha bebido, no que tinha fumado. Estranho, tudo normal. Cereais, café, tabaco. Estranho.

Decidi não pensar na montanha, mas decidi ainda mais depressa que isso seria estúpido, afinal, eu vi uma montanha.
Isto é o estado a mexer com a minha mente. Isto é.. Credo sinceramente não sei. Estou maluco?
Isso seria estupendo. Finalmente teria uma desculpa para ficar fechado num edifício completamente cheio de pessoas que a sociedade julga que têm algum tipo de problema mental, quando na verdade, mentem sobre o seu estado apenas para poderem ser.. malucos?
Porque hoje em dia é maluco uma pessoa gritar no meio da rua? Por favor, e aqueles que cortam os pés para ganharem uns trocos à porta dos supermercados? (demasiado baixa esta?)

Ok voltemos à montanha.

Eu vi uma montanha, juro! Era grande, enorme, gigante, castanha com cores, assim meio lilás. Tinha árvores enormes do tamanho de pequenas nozes. Tinha notas musicais a sobrevoarem as nuvens encarnadas. Ouvi música quando vi a montanha. Era algo como "tum tum tum tuuuuuum turumm.. TRUM TUM TUM.. tram ram.. TRAM RAM RAM RRAAAM RAAAM AAAHMM" aah.. Tchaikosvky..

Mas, a montanha não ocupou espaço. Simplesmente ficou ali, parada, estagnada, a baloiçar. Mexia-se calmamente, parecia que estava possuída por uma dançarina de flamengo. A Montanha ocupou o espaço quase todo, e a falta de espaço asfixia-me, não respiro, respiro mas pouco, quase que me sinto afogado, parece que me estão a enterrar numa espécie de areia molhada.

O melhor talvez, é dar uma volta, apanhar ar fresco, e com sorte vejo a montanha outra vez.
Ando, ando, ando, caminho, a cada passo que dou, perco a esperança de voltar a encontrá-la. Talvez seja altura de voltar para casa.

Estou perdido.

Não conheço o bairro, as caras não me parecem familiares, para ser sincero, a minha cidade não tem aquela ponte. Onde estou? O Pânico surge, o sentimento de sufoco e asfixia volta em força, tento pedir ajuda mas faltam-me as palavras, tento, tento, tento, tento, as pessoas estão a olhar para mim com um ar.. de preocupação? Sinto-me a cair, oh.. desmaiei.

Surpresa, encontrei a montanha. Mas é pequena. A MONTANHA É PEQUENA!
Estranheza, sinto um arrepio nas costas. A montanha era enorme, eu vi-a! Estava ali à minha frente. Estava.

Acordei.

Estou rodeado pelas mesmas pessoas de à bocado. Rodeado literalmente. Aquela ambulância não estava ali à pouco..

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Tive uma quebra de tensão e desmaiei. Café e tabaco de manhã, parece que o meu corpo desta vez não achou piada.

Mas eu juro que vi a montanha..

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