segunda-feira

luxo?

No outro dia, outro como tantos outros, meti conversa com uma amiga.

A conversa progrediu como sempre, cumprimenta-se a pessoa, envia-se uns asteriscos, um ou dois smileys e estamos num bom caminho para começar a conversar (ou pelo menos tentar, muitas vezes a conversa não passam da fase dos smileys)


Depois de eu fazer à tal amiga a comum pergunta "como estás?" ela responde que podia estar melhor, que já teve melhores dias.


Como a tal amiga é uma pessoa bem educada, pergunta-me como estou. Eu respondo:
- Estou óptimo


Quase que de repente, vejo a informação na parte do baixo do msn - "usuário está a escrever uma mensagen" - e é ai, que aparece uma pergunta que me intrigou bastante:
- Uuuuuuuuuuuhhhhh!! Óptimo?
A que se deve tanta alegria?



Resposta:
- Não estou alegre, estou óptimo.




Ponto 1: Ultimamente, todas as pessoas com quem falo (ou quase todas) nunca estão bem. Como se diz em Portugal, parece que estão sempre com cara de cú, prontas a largar uma bufinha de indignação ou de tristeza a qualquer altura.



Ponto 2: Será que hoje em dia, é assim tão raro encontrar alguem que esteja bem disposto?



Ponto 3: Estará a boa disposição a tornar-se um luxo em Portugal?

o aborrecimento mata o tempo

definitivamente nao fazer nada é mau, muito mau.

a cada dia que passa o tempo parece diminuir, embora certos minutos pareçam maiores.
sinto que enquanto cá estou, ainda nao consegui ganhar nada, e que aos poucos, vou perdendo certas coisas que julgava que nunca iriam ser postas em causa.

certas coisas já nao estao certas, ou pelo menos nao parecem ser tao certas, nao tenho a certeza se o passado está a atrapalhar o futuro, ou se o presente mexeu com o passado.

o meu maior problema neste momento, é o facto de pensar demasiado, e fazer muito pouco. simplesmente nao faço nada, penso. nao deixa de ser um bom sinal, significa que existo, mas de que me serve existir, se nao pratico acçoes, apenas pensamentos?

a realidade parece-me repleta de surrealismo, o mundo parece-me uma bola quadrada que rebola por uma estrada repleta de curvas rectas.

ou seja, tudo parece-me diferente desde o primeiro dia que aqui cheguei. cheguei confuso, senti-me sozinho. parecia que estava a andar numa escada rolante no sentido contrário, sempre que dava um passo para a frente, andava dois para trás.

mas já que aqui estou, quero aproveitar. ao viver, aproveito algo que não pedi, mas que no fim das contas, foi a melhor coisa que me aconteceu, a mim, e a todos nós, a vida. se existe algo que podemos dizer que é verdadeiramente nosso, é a vida. nascemos com ela, é nossa.

passo demasiado tempo a pensar e a analisar certas situaçoes, actos, palavras. tempo esse que passa a correr, tempo esse que passa simplesmente porque eu parei para pensar, tempo esse que nao volta.

a vida é demasiado preciosa para ser mal-aproveitada, afinal só temos uma vida, há que saber aproveitá-la, e eu, quero começar a saborear cada minuto.