terça-feira

"As meninas da ribeira do sado é que é.."

Mais uma vez apetece-me escrever, não sei o quê, nem porquê. Mas hoje, tal como em muitos outros dias, antes de escrever este texto, escrevi outros, que apaguei por considerá-los "intragáveis".


Quando escrevo sem noção do que quero escrever, tudo aquilo que escrevo, acho que está mal escrito, ou seja, sou parvo. E porquê? (Perguntam os poucos que ainda não sabem que sou parvo) Pois bem, eu respondo: acho que está mal, porque ao escrever algo que não sei porque escrevi, então, penso que é meu dever escrever algo minimamente estúpido. E porquê estúpido? Porque se escrevo algo sem saber porque escrevi, tem que ser estúpido, assumo isso como um direito. E porque é que assumo isso como um direito? Porque penso que não há direito em escrever algo sem noção, e no fim ter nexo, ou sentido. E porquê? Porque escrever algo sem nexo e sentido, a partir de um momento em que escrevi um texto "à toa", e no fim de contas, o texto ficar decente, como é que eu fico? Como é que eu fico ao saber que escrevi algo "à toa", e que ficou decente? Como é que eu fico ao saber isso? Fico mal, pois fico. Fico mal, porque vamos supor que eu me esforço para escrever um texto com "pés e cabeça" e que no fim, o texto fica uma merda? Começo a pensar QUE, ao não me esforçar consigo escrever textos melhores, do que aqueles que escrevo com dedicação? E depois? E se eu começo a escrever textos "à toa" todos os dias? Simples, se eu começar a escrever textos "à toa" todos os dias, começo a perder o gosto pela escrita. E porquê? A resposta é simples. Considero a escrita uma arte, não considero os meus textos uma obra prima, MAS, respeito a escrita acima de tudo, e escrever textos "à toa", para mim é "contra-natura".


Moral da "estória": odeio tudo o que seja "à toa" , se é para ser bem feito que se faça, senão, que nem se comece a fazer seja o que for.

domingo

Sossego esquecido sossegadamente

18 anos, mas muita coisa em que pensar.


Eu sou uma pessoa que prefere ficar em casa, gosto do sossego que me é proporcionado quando estou sozinho. Algo que gosto, e que aprecio é paz, não me importo de estar num parque às 4 da manhã com alguém a conversar ou a beber, com 2000 pessoas à volta, desde que não haja conflitos. O barulho não me incomoda, mas a confusão sim. Sou uma pessoa que quebra muito facilmente com muito pouco.


Nunca fui um jovem que gostasse de sair à noite, ir a discotecas, bares, e beber álcool para me fingir bêbado, para no dia seguinte dizer de boca cheia que vomitei quatro vezes em 5 sítios diferentes, e que bebi 1 garrafa de moscatel sozinho e 8 shots. Muito pelo contrário, sempre fui contra esse tipo de comportamento por parte dos meus 'compatriotas', compatriotas esses que se dão ao luxo de terem um telemóvel de 400€ de dois em dois meses, apenas com o 6º ano de escolaridade.


Não acho, nem nunca achei, que sair à noite, e embriagar-me, pudesse ajudar de alguma maneira, a tornar-me numa pessoa melhor.
No entanto, nunca vi mal, de uma vez por outra, de tempos em tempos, fumar uma ganza ou outra, beber uma cerveja ou outra me prejudicasse, muito pelo contrário, com as pessoas certas (leia-se amigos), muitas dessas noites, podem vir a ser das melhores noites da nossa vida.


Agora, sair à noite todos os fins de semana, e chegar a casa com muito sangue no álcool, acho exagerado e ridículo. O problema, é que não sabemos apreciar o que nos é dado de uma maneira moderada, exagerara-mos, nunca pensando que mais cedo ou mais tarde, certas atitudes, acções e actos, podem vir a perder o gosto, e pior, podem-nos prejudicar de várias maneiras e a vários níveis. (alcoolismo, toxicodependência entre outros)


Nunca tive muita vontade de sair de casa, e cada dia que passa fico com menos vontade de abrir a porta do prédio para descer as escadas e ver-me a mim mesmo na rua (nunca viram aquele documentário, que se debruça sobre os problemas do Japão contemporâneo: identidade, relacionamento social, auto-estima, expectativas, orgulho - mostra o Japão dos jovens fechados no quarto durante anos) . Para mim, a 'minha casa', sempre foi o único local onde me senti bem, excepto quando essa tal pessoa vive debaixo do mesmo tecto que eu.
Por mais que ame essa tal pessoa, torna-se insuportável conseguir viver com ela, existe um conflito de personalidades enorme entre ambos.


Pela minha maneira de pensar, e de estar na vida, já me chamaram de muita coisa, tudo menos santo, inclusive, já me disseram que por não querer sair à noite, só podia ser paneleiro.
Outro ponto interessante, o facto de uma pessoa não querer fazer algo que supostamente está certo (mas que na realidade está errado), é logo razão mais do que evidente para essa pessoa ser homossexual, ou cromo, ou 'tecla 3' ou ser posto de parte do 'supostamente grupo de amigos' . Andam todos loucos, interessante ou não, sempre ouvi dizer que os loucos são certos numa sociedade errada, eu até concordava com essa teoria, de maneiras que, sempre questionei a sociedade, mas agora começo a questionar os loucos.


Voltando ao ponto fulcral da 'conversa', a tal pessoa que eu tanto amo, é completamente distinta de mim, essa tal pessoa que eu tanto amo, dá mais valor a uma pessoa que aos 20 anos já tenha deixado de roubar carros à 5 anos, do que a uma pessoa que com 20 anos esteja no 2º ano de um curso de Medicina.


Essa tal pessoa que me quer obrigar a seguir as suas teorias, mas que não aceita as minhas, essa tal pessoa que se auto-proclama mais que os outros, acima de ninguém, essa pessoa que não admite que ninguém lhe faça, o que ela já fez a tantas outras 5 vezes pior. Não se deixa ser pisada, mas adora pisar, essa pessoa, tem sido a ÚNICA pessoa, durante os meus 18 anos de vida que me rebaixo, e cada vez que o faz, parece que os seus olhos ganham brilho, mas que diz, que sou a pessoa que ela mais ama na vida. Essa pessoa que quando quer conversar comigo, mas vê que começa a perder a razão, ameaça-me. Pessoa essa, que quando eu lhe aponto à cara que me ameaçou, desmente que o fez, e acredita piamente que nunca me ameaçou. Pessoa essa, que acredita mais depressa nas suas mentiras do que nas verdades dos outros.


Estou farto, o sossego que começou de uma maneira calma, está-se a desvanecer de uma maneira demasiado rápida. Começo a ponderar as minhas opções, começo novamente a perder a confiança que demorei a amealhar durante estes poucos meses que estou em Espanha, começo a não conseguir sair à rua novamente, começo a não conseguir enfrentar as pessoas novamente, comecei a gaguejar novamente, começo a deixar-me dormir com ódio e acordar com rancor. Começo a perder a minha pessoa, aquela pessoa que pensava ter encontrado, começo a ficar com medo, começo a perder a esperança. Começo a chorar, começo a perder amor, orgulho, auto-estima, começo a cair, naquele poço fundo, que pensei nunca mais voltar a ver, vou caindo, vou mergulhando neste poço que ao contrário do que é suposto, a luz afasta-se ao invés de se aproximar.


Não quero quebrar novamente, mas também não sei se consigo voltar novamente a escalar as paredes frias e molhadas deste poço, onde cada metro cheira a medo, onde a cada centímetro perco dois metros de esperança, tenho mesmo muito medo de não conseguir voltar a encontrar novamente, aquela pessoa que julguei perdida, aquela pessoa que eu acredito que realmente sou. Faltam-me forças. Falta-me motivação. Falta-me amor. Falta-me paz. Falta-me sossego..