domingo

Nirvana - Dumb



Im not like them
But I can pretend
The sun is gone
But I have a light
The day is done
But Im having fun
I think Im dumb
Or maybe just happy

Think Im just happy [repeat 3x]

My heart is broke
But I have some glue
Help me inhale
And mend it with you
Well float around
And hang out on clouds
Then well come down
And I have a hangover

Have a hangover [repeat 3x]

Skin the sun
Fall asleep
Wish away
The soul is cheap
Lesson learned
Wish me luck
Soothe the burn
Wake me up

[repeat first verse and chorus]

I think Im dumb [repeat 12x]

quarta-feira

20,13 Purgatório



Chegar a casa às 7 da manhã estafado por ter passado a noite inteira a carregar sacos de areia, mas daqueles com areia mesmo e não com palha para encher, cavar buracos para preparar as explosões, andar numa 'fona' de um lado para o outro a verificar todos os pormenores de iluminação, de decoração, de racor, um repente todo o chinfrim passa quando se ouve: "ATENÇÃO POR FAVOR, SILÊNCIO NO PLATEAU, VAMOS FILMAR!" - e assim começava a magia.

É assim que classifico todas as dores que tive, magia. Para mim é isso de que se trata o cinema, escrever um argumento, pensá-lo, prepará-lo, revê-lo fazer uns ajustes, voltar a revê-lo e voltar a fazer outros ajustes, de modo a deixar tudo pronto para se começar a procurar investimentos, investimentos que quando chegam, começa-se a preparar a produção, a equipa começa a nascer. O casting selecciona os actores que vão interpretar as personagens que vão dar vida aos amores, às paixões e às intrigas.

São os actores que nos fazem chorar ou rir quando vemos o trabalho final, mas é a equipa que lhes dá condições para isso. Cada membro da equipa foi sem dúvida crucial para se ter criado mais uma obra prima da sétima arte Portuguesa.

Eu, infelizmente não consegui estar presente em todos os dias de gravação, mas os poucos dias em que lá estive fizeram-me ver um mundo com o qual todos sonhamos um dia estar envolvidos. Mais do que tudo foi uma experiência enriquecedora, fazer novas amizades, dialogar sobre assuntos que no dia-a-dia de alguém como eu nunca viriam "à baila", e claro é sempre bom saber que todas aquelas que entram pela nossa casa por meio de uma caixinha a cores, são acima de tudo humanos. Riem-se, fumam, 'dão pontapés gramaticais', e tal como qualquer pessoa que lá estava, aguardava ansiosamente pelo jantar que nos era fornecido pela melhor empresa de catering nacional (modéstia à parte), e claro, tapavam o nariz sempre que usavam as WC's portáteis.

Eu agora conseguia continuar a escrever sobre a felicidade que todas aquelas horas passadas na companhia de todas aquelas pessoas foram para mim. Ajudar o Connor a preparar as explosões, levar raspanetes do Animal, roubar cigarros ao Hugo, ir para o guarda-roupa atrofiar com a Joana, tentar arranjar espaço para observar os ecrãs, tomar atenção à máquina de fumo, fazer figura de parvo em frente à Ana, fazer de figurante pela primeira vez na minha vida e aleijar-me, observar com atenção as armas do Isaías, ver o César sempre a puxar as calças para cima, ver o Quimbé a maquilhar-se a si mesmo com terra, observar o Ivo a preparar-se para as cenas, ver o Marco mudar completamente de ar quando a claquete batia, ter conversas da treta com o Tiago (ainda hoje estou para saber como é que ele aturou todas aquelas perguntas estúpidas que fiz) , e claro tentar sempre ganhar distância sobre toda a equipa para o lanche da noite.

É para mim motivo de orgulho, a primeira vez que me vi envolvido num projecto deste tipo, ter tido a oportunidade de trabalhar com grandes nomes como Joaquim Leitão, Tino Navarro, Marco D'Almeida, Ivo Canelas, Adriano Carvalo, Carla Chambel e Maya Booth.

Sem dúvida que ficou muito para dizer e descrever, mas espero que a mensagem tenha sido clara: Magia.


############################################################

20,13 é, provavelmente, o melhor trabalho de Joaquim Leitão, na intersecção do que deve ser um cinema que pensa no grande público (e não o trata como atrasado mental) mas tem evidente marca autoral. Deseja-se ardentemente que não lhe caiba em sorte o mesmo acolhimento frio que recebeu "Inferno": seria imerecido e profundamente injusto passar ao lado de um filme assim.


Crítica por: Jorge Mourinha (PÚBLICO) (
Link directo para a crítica)

segunda-feira

2007!

Sempre achei estúpido apenas uma noite para festejar um ano inteiro. Das duas uma, ou apanhamos uma 'bebedeira' descomunal numa noite, ou então vamos apanhando uma ao longo de uma semana. É sempre tempo de reflectir sobre o ano que passou, as escolhas que fizemos e posteriormente as escolhas que vamos fazer. Há sempre um ou outro episódio que desejávamos que nunca tivesse acontecido, ou outro que desejávamos que tivesse acontecido muitas vezes. Nesta passagem de ano prometi a mim mesmo fazer mais por mim, deixar de ser tão estúpido, ou seja, deixar de ter certas atitudes para certas pessoas quando sei quando daquele lado nunca vou ter um terço do que lhes dou. Sempre dei demais e sempre recebi muito pouco, sinceramente fartei-me de ser o bobo da corte. Para mim isto tem dois nomes, ingratidão e falsas-amizades.

Sempre que uma pessoa que eu tenha como amiga precisa de falar, desabafar, sou sempre o primeiro a perguntar se precisa de ajuda. Quantas vezes já não saí de casa a meio da noite só para ir ajudar uma dessas pessoas, aquela pessoa que me envia uma mensagem ou telefona-me, pessoa essa que não me falava à uma semana ou duas e que depois de uma hora ou duas de desabafo não me volta a falar durante mais umas semanas? São este tipo de situações que em 2007 espero conseguir eliminar, não me quero tornar um ingrato e negar qualquer tipo de ajuda quando me pedem, mas também não me vou mostrar tão disponível para certas pessoas como me tenho mostrado até agora, mesmo porque não merecem.

Vou ser assim porque é penso que é assim que deva ser, neste ano vou tentar criar mais cultura-geral, tentar criar um pouco mais de egocentrismo, ligar um pouco mais a mim mesmo, vou ter divertir-me mais e não ligar a coisinhas mínimas que não me deixam apreciar o dia-a-dia de uma maneira mais saudável. Vou tentar deixar de ligar aos outros, não quero viver a minha vida em função do que os outros podem achar que eu sou, quero viver a minha vida em função do que eu acho que deva ser.

Quero continuar a ser um bom amigo, um confidente, uma pessoa com a qual os meus amigos podem contar, quero particularmente saber que tenho amigos, coisa que neste momento não sei.
Parece-me que as amizades que tenho só se importam comigo quando precisam, sei de muitas poucas pessoas que tenho a certeza que posso contar, mas é isso que me deixa feliz, saber que as tenho. Para 2007 peço um pouco mais de mérito por quem sou, e pelo que faço ou já fiz. Para 2007 peço felicidade e leveza de ser. Para 2007 peço amor, muito amor.

Porque cada um tem o que merece, e eu sei que mereço mais.