quinta-feira

Liberalização do Pai Natal

Vamos imaginar o dia 24 de Dezembro, altura em que um pai que só vê os filhos nesta época festiva, sim porque é o papel de um pai aparecer apenas nas épocas festivas e comprar os filhos com prendas caras que a mãe não pode suportar, mãe essa que conseguiu a custódia dos filhos no tribunal de família e menores, mas que se sente frustrada por ter feito um esforço enorme para conseguir fazer uma mesa de natal recheada mas com poucas prendas debaixo da bela árvore de natal, enfeitada com todo o carinho que apenas uma mãe consegue ter, e que assim que vê os filhos chegarem a casa com aquelas prendas caríssimas pensa para com ela: "já não vão ligar ao borrego hoje.."
Pai esse que passa um ano inteiro sem ligar aos filhos, simplesmente porque acha que se aparecer pelo menos um dia por ano, os outros 364 dias são esquecidos. Pai esse que julga que uma ou duas prendas por ano, vão conseguir rivalizar com o amor que nos é dado pela nossa mãe um ano inteiro. Pai esse que não nos conhece, mas que sempre que nos vê diz-nos sempre o mesmo "Estás grande!"
Pai esse que nos julga sem se aperceber que não tem esse direito.

Portanto eu não sei quem inventou o natal, mas de certeza que foi um homem, mais provavelmente um pai que talvez não via os filhos à imenso tempo e precisava desesperadamente de se assumir como pai, nem que fosse por umas horas, mas que nessas horas se sentisse aquilo que nunca foi: um pai.

Por definição um Pai é alguém que está presente, é alguém que nos acompanha ao longo da nossa vida, é alguém que pelo nosso espirro sabe se estamos a ficar constipados, é alguém que nos acode nos momentos de aflição, é alguém que nos vai levar ao nosso primeiro dia de escola.

Muitas vezes a definição de Pai é Padrasto.