terça-feira

Sentimento

Para quê sonhar tocar as nuvens, se depois não podemos trazer um pedacinho para casa?
Iremos apenas guardar, talvez para sempre, ou apenas durante uma pequena eternidade, uma memória de quando as tocámos, olhámos para baixo com um ar suave a demonstrar um pequeno desdém por todos os que queriam e ambicionam estar no nosso lugar e majestosamente gritamos: EU SENTI O QUE NUNCA SENTIRAM, E TOQUEI NO QUE NUNCA TOCARAM!
Tanta liberdade desperdiçada, mas tantos sonhos realizados. O vento tocou-nos o cabelo delicadamente, lembramo-nos daquelas belas festas que a nossa mãe fazia quando nos ia deitar.
Tentamos entender o porquê de estarmos aqui, por vezes não queremos dar razão aos que dizem que Ele conseguiu conceber o inconcebível, criticamos quando Dele não obtemos resposta ou ajuda, criticamos quando conseguimos o que queriamos e não Lhe agradecemos por sabemos que foi à nossa custa, e Ele nada fez para alcançarmos os nossos objectivos, mas sentimo-nos louvados quando sobrevivemos de algo mau, e a Ele lhe dizemos: Obrigado.
Mas obrigado porquê? Existem demasiados poderes divinos para um planeta tão pequeno, DECIDAM-SE!
Tentamos abraçar a brisa maritima que nos corre pelo corpo, ficamos encantados com tanta suavidade, e sentimo-nos poderosos por podermos apreciar este tipo de sensação. É engraçado ficarmos irritados quando a mesma brisa passa pelo nosso corpo, ou porque está frio e só queriamos um bocadinho de calor, então talvez porque estamos enervados com outro assunto qualquer, e achamos que tudo o que se está a passar é apenas mais um gesto divino para nos estragar o dia.
No inicio não vemos as falhas, sabemos que nada é eterno, e mesmo que vejamos algumas falhas, tentamos não reparar, queremos desesperadamente que aquela sensação seja perfeita.
Surge uma essência no ar, depressa ocorre-nos que conhecemos aquele cheiro, o cheiro vai ficando mais intenso à medida que o tempo passa..
Do nada outros lábios tocam nos meus, fico espantando, admirado, assustado, não estava à espera, mas depressa o pensamento voa, e os lábios falam:
- Então paixão, estás à minha espera à muito tempo?
- Não, só um bocadinho.

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